Traduzir

25 abril 2020

Artigo de José Ávila- "Abril em tempos de crise"

Viver uma crise como esta que estamos a atravessar, é um verdadeiro desafio para a grande maioria dos cidadãos pouco habituados a perder uma parte da sua liberdade. Digo uma parte, porque as liberdades de consciência, opinião, expressão e religiosa, permanecem intocáveis, muito graças àqueles que, arriscando a sua própria vida e a dos seus familiares, lutaram para libertar Portugal das grilhetas da ditadura bolorenta que nos governava, no longínquo Abril de 1974.
Lembrar esta data histórica para o nosso país tornou-se, repentinamente, num motivo de discórdia, sem se entender, à primeira vista, as razões de tamanha polémica.
Posso até compreender quem ache que esta data tão importante para o país não deva ser assinalada na Assembleia da República, mesmo sabendo que vai envolver um número inferior de pessoas às que mantêm o plenário a funcionar, cumprindo todas as normas em vigor, afinal os mesmos, ou menos, daqueles que vão lá todos os dias para discutir e aprovar importantes mecanismos de apoio às famílias e empresas vítimas do covid-19.
E posso também aceitar a vontade de quem não queira lá ir, mas não tenho dúvidas que muitos dos que se manifestaram contra e os que recusaram participar nas comemorações, e que, através das redes sociais, acabaram por arregimentar muitas pessoas, sobretudo aquelas que vão com todos, fazem-no porque nunca aceitaram, de bom grado, a Revolução de Abril.
O que há de bom nas pessoas revela-se, e muito, nas crises e as provas são bem visíveis nas manifestações de apoio, nas doações e no constante apoio aos mais frágeis.
Mas é de assinalar, que o pior do ser humano também tende a aparecer nestes momentos, sobretudo junto daqueles que não procuram nem sequer ajudam a encontrar soluções para os problemas que, neste período difícil, surgem a cada passo.
Os primeiros, aqueles que tentam desvalorizar esta data, a história mais cedo ou mais tarde, acabará por acertar contas com eles.
Os outros, os que aparentam boa vontade e espírito de colaboração, mas que colocam os capangas nas esquinas obscuras das redes sociais, escondidos atrás do anonimato ou de perfis falsos, à procura de qualquer deslize, esses serão julgados pelo povo e esse nunca se engana.

Graciosa, 25 de abril de 2020.
José Ávila



Twitter Facebook Favorites More