Durante 4 anos o país viu-se forçado pela bancarrota
socialista a fazer sacrifícios, a ver aumentar o desemprego numa primeira fase,
a assistir a inúmeras atitudes irresponsáveis por parte do maior partido da
oposição que, entretanto, se propunha a vencer as eleições de domingo com
maioria absoluta.
Para atingirem esse objectivo, os eternos sabedores dos
meandros partidários - os tais que achavam que vitórias pequeninas não eram
suficientes e que, com isso, arrumaram com o líder que tinha vencido eleições -
assomaram-se ao poder e destinaram que as eleições estavam ganhas e que seria
com maioria absoluta.
Nos Açores, concretamente os socialistas açorianos, não
ficaram à margem desta narrativa de poder. Muito pelo contrário, assumiram-se
como estrategas da anunciada derrota de Passos Coelho, empenharam-se a fundo
nesse desígnio, tendo inclusivamente colocado toda a sua força para que o PS de
Costa, secundado por César, fosse maioritário e assumisse o poder no país.
Forneceram o vice para programas económicos do PS nacional (!!!), mandaram os
estrategas de campanha e os conhecedores das máquinas partidárias para Lisboa e
empenharam a sua propagandeada competência nestas artes para, supostamente,
fazerem do PS o partido maioritário em Portugal.
Está bom de ver que, depois de todo este empenho e
determinação, depois de investimentos sumptuosos na campanha eleitoral, depois
de meterem os mais altos dirigentes a "maquinar" a desejada vitória e
perante a derrota nacional de toda essa estratégia, claro que agora não é nada
com eles (viram o presidente do PS atrás de Costa no assumir dos resultados?),
agora eles foram até vítimas nacionais, e logo eles coitados, que até
conseguiram nos Açores uma vitória.
É mesmo assim: o PS Açores quando corre bem aparecem todos
na fotografia. Quando corre mal parece que lhes dá uma indigestão e ausentam-se
dos cenários de derrota. Melhor só as habituais declarações de vitória dos comunistas
que, imagine-se, nos Açores depois de uma brutal derrota tanto regional como
nacional (atrás do BE) ainda gritam vitória porque, dizem, a coligação de
governo não teve maioria absoluta, esquecendo-se que, durante os últimos anos
pregaram a tese de que Passos não voltaria a ser Primeiro-Ministro.
Depois de tudo o que ouvimos nos últimos anos sobre a
"garantida" vitória socialista que voltaria ao governo, depois de uma
governação marcada pelos extremos sacrifícios exigidos aos Portugueses pelo
ajustamento negociado com a Troika, depois de apearem um líder que ganhava
eleições e perante um governo violentamente contestado nas ruas e no
parlamento, depois das derrotas eleitorais da coligação durante este tempo de
dificuldades, o PS não conseguiu minimamente atingir os seus objectivos e não
serão pequenas vitórias de Pirro, por aqui e por acolá, que vão esconder o
brutal fracasso eleitoral socialista de 4 de Outubro.
Para que se enquadre bem o volume deste desaire basta
pensar-se que nunca houve um Primeiro-Ministro na Europa que fosse reeleito
depois de gerir um resgate externo.
Portugal está diferente e os portugueses já sabem bem quem
garante estabilidade e uma governação com resultados.
Aqueles que, embora derrotados, comemoram vitórias caseiras
ainda estão empenhados em tapar o sol com a peneira, pois no que
verdadeiramente interessava (o Governo de Portugal) sofreram uma derrota
pesadíssima!



quarta-feira, outubro 07, 2015
Rádio Graciosa