O protesto dos trabalhadores relativamente à dedução das horas extraordinárias e trabalho suplementar na remuneração complementar demonstrou que, afinal, a mudança também se faz com todas as formas de luta que os trabalhadores têm à sua disposição.
O Governo Regional emendou uma posição intransigente que se tornou insuportável perante a evidência de má-fé, porque deturpava, completamente, a essência do alargamento da remuneração complementar. Isto aconteceu depois de o Grupo Parlamentar do PS ter reprovado um projeto de resolução da autoria de toda a oposição a recomendar que a situação gerada fosse devidamente corrigida.
A remuneração complementar foi 'vendida' aos açorianos como uma medida que compensaria os cortes salariais da República, decorrentes de uma política de austeridade que tem desregulamentado e embaratecido o trabalho. Contudo, mais cedo do que tarde, o que parecia ser uma medida generosa tornou-se num expediente para prejudicar, sobretudo, quem aufere de salários mais reduzidos e que recorre a horas extraordinárias para, em muitos casos, sobreviver.
Apesar de o BE/Açores não embarcar na lógica de colocar trabalhadores contra desempregados, ao contrário do PS que se refugiou e reforçou o preconceito que as horas extraordinárias estariam a inviabilizar a criação de postos de trabalho, continuamos a aguardar o levantamento de criação de postos de trabalho na Administração Pública Autónoma, a partir das horas extraordinárias, prometido pelo vice-presidente, Sérgio Ávila.



quinta-feira, maio 15, 2014
Rádio Graciosa