Um homem de 50 anos, natural e residente na Freguesia de Santa Cruz da Graciosa, faleceu na passada Sexta-feira no Hospital de Angra vítima de leptospirose.Agricultor de profissão, contraiu a também chamada “doença dos ratos”, que acabaria por se mostrar fatal para este graciosense que deixou mulher e três filhos.
Importa pois lembrar o que é esta doença, que existe em meios rurais, como acontece na ilha Graciosa.
A leptospirose, também chamada de Mal de Weil ou Síndrome de Weil em seu quadro mais severo, é uma doença bacteriana que afecta seres humanos e animais e que pode ser fatal.
É uma zoonose causada por uma bactéria do tipo Leptospira.
Nos seres humanos causa ampla gama de sintomas, mas algumas pessoas infectadas podem ser assintomáticas, isto é, não apresentam sintoma algum. Sintomas da doença podem incluir febre alta, fortes cefaleias, calafrios, dores musculares, vómitos, bem como icterícia, olhos congestionados, dor abdominal, diarreia ou coceira. Complicações incluem falência renal, meningite, falência hepática e deficiência respiratória, o que caracteriza a forma mais grave da doença, conhecida como doença de Weil ou síndroma de Weil. Em casos raros ocorre a morte.
O diagnóstico da doença não é fácil, dada a variedade de sintomas, comuns em outros quadros clínicos.
Um sintoma capaz de diferenciar a leptospirose de outras doenças é a insuportável dor na batata da perna. Muitas vezes, o doente não aguenta ficar de pé.
A infecção nos seres humanos é frequentemente causada por água, alimentos ou solo contaminados pela urina de animais infectados (bovinos, suínos, equinos, cães, roedores e animais selvagens) que são ingeridos ou entram em contacto com membranas mucosas ou com fissuras ou rachaduras da pele. A contaminação no homem se dá através da pele - principalmente quando existe alguma lesão ou de mucosas. A longa permanência da pessoa na água favorece a penetração da bactéria pela pele limpa, sem ferimentos. Os locais, onde o contágio acontece, normalmente são beiras de córregos, galerias de esgoto e terrenos baldios. Não há registros de transmissão da doença de uma pessoa para outra.
O uso de vestuário protector, botas e luvas é um dos primeiros cuidados a ter, para além de manter limpos os utensílios e vasilhames de alimentação animal. Dessa forma, evita-se o acúmulo de lixo e instalação do rato. Manter o lixo bem tratado, evitar deixá-lo nas ruas. Além disso, os recipientes de lixo colocados alguns metros acima do solo podem evitar o contacto com a águas.
A leptospirose é tratada com antibióticos, como a doxiciclina ou a penicilina.
A incidência média anual nos Açores da leptospirose situava-se, entre 1993 e 2003, nos 11,1 casos por 100 mil habitantes, cerca de dez vezes mais do que no continente.
As condições de humidade e de temperaturas médias anuais do clima subtropical da região facilitam a sobrevivência das leptospiras.Quanto ao perfil dos doentes, tratam-se de pessoas que, nas suas profissões, desenvolvem actividades que pressupõem o contacto com animais e com a terra, caso de agricultores, tratadores de gado e trabalhadores do saneamento básico, no entanto há a possibilidade de transmissão da doença durante qualquer trabalho de jardinagem em casas particulares.



terça-feira, novembro 13, 2007
Rádio Graciosa