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22 junho 2016

Artigo de Opinião de João Costa intitulado “Rendimento pelo voto ”


Ao fim de 20 anos e de milhares de milhões recebidos da Europa, o projecto do socialismo insular renova pobreza, em ciclos eleitorais onde a dependência do “rendimento” se acentua na mão estendida aos senhores que mandam, como se a dimensão humana da dependência de um apoio para matar a fome se pudesse confundir com um brinde de campanha, um apoio com caridade ou até um favor dos senhores do dinheiro.

No último mês, a cada dia, 10 açorianos engrossaram a fila de RSI nos Açores.
A cada dia que passa, há açorianos que não conseguem libertar-se do jugo da pobreza ou que retornam ao “rendimento”, porque a vida continua a não dar certo.
Os Açores ombreiam com o distrito de Setúbal, que tem mais de 800 mil residentes, com valores absolutos próximos dos 18 mil beneficiários.
São a terceira e quarta região do país com mais beneficiários, apenas suplantadas por Porto e Lisboa.
No “rendimento” escondem-se os dramas e os percalços de vidas que não se libertam da constante ausência de recursos. Todos os meses, falta sempre para alguma coisa essencial, nem que o essencial passe por vezes por uns ténis de melhor qualidade, para que também os que menos têm se possam integrar numa sociedade em permanente competição por alguns rótulos que estigmatizam o pobre e o tornam, também ele, pobre de liberdade.
Os indicadores ainda recentemente divulgados pelo INE sobre coesão social colocam a região dos “20 anos consecutivos“ de governos do PS, em último lugar, muito abaixo da média nacional, o que vem reforçar a ideia de que aqui os euros voam com o vento, diluem-se no imenso mar salgado, desaparecem em projectos e mais projectos, em programas e mais programas, em incentivos e mais incentivos, tudo opções condicionadas pelo poder do poder, o poder do despacho, o poder da administração do Estado, infestada por algumas incursões partidárias de um só dono, sempre com os timings programados para 4 anos.
E lá se volta de novo a tentar perceber por que é que nos Açores a pobreza insiste em ser a maior de Portugal, onde é que se falhou?
A resposta são muitos considerandos e explicações. Mas em todos eles há pelo meio alguém do regime, do regime da satisfação de 4 em 4 anos, em que o renovar de maiorias depende de renovar as dependências, em que o propósito de poder precede tudo e todos, dos pobres aos que não querem perder o pouco que têm.
Mais uns programas, mais uns incentivos, mais umas medidas, à dúzia ou à centena, mas quatro anos passados e tudo volta a uma questão básica: a ausência de recursos!
Para o poder dos “20 anos consecutivos” é o “rendimento” dos votos, em tempos o celebrado “rendimento”, sinónimo de votos pobres de liberdade.
O “rendimento” foi comemorado nos Açores vai para 10 anos. Celebraram as estratégias, os programas, os incentivos, as medidas. Mas nessa mesma medida, quase outros 10 anos passados, hoje não mudaram os pobres, não mudou o governo, mudaram-se sim, muitos açorianos para outras paragens!
Com meios e capacidades técnicas à disposição, com profissionais e organizações cívicas empenhadas em ajudar, o poder tem sempre alguém que pensa acima dos programas, dos incentivos, das medidas, e que só tem uma estratégia: o poder 4 anos mais tarde.
O ciclo dos “20 anos consecutivos” tornou-se um ciclo vicioso, de personagens repetidas à exaustão em cada ilha, em cada concelho, em cada freguesia, que sobrepõem a liberdade pela pobreza, o “rendimento” pelo voto.
É urgente mudar!



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