O logro dos eleitos
Tenho pena pelo meu país que 4 anos depois da bancarrota
socialista, em que os portugueses tiveram de fazer pesados sacrifícios, com
cortes de salários e pensões, perda de subsídios e aumentos de impostos, haja
três partidos que, não tendo ganho as eleições, queiram unir-se apenas por
revanchismo político e interesses pessoais.
Tenho mesmo pena que neste Portugal de grande coragem - que
soube vencer todas as adversidades do jugo da falência deixada por socialistas
que, também então, só pensavam em servir-se do Estado para governar as suas
vidas e carreiras pessoais - subsista quem pense que os portugueses querem
voltar a ter os seus impostos estourados na demagogia da extrema esquerda e na
gula pelo poder do PS.
Tenho pena que à junção da vontade do PS em usurpar os
cargos da governação se aliem as obsessões do BE e do Marxismo-Leninismo do PCP
em apear da governação quem ganhou eleições, num quadro político e social que
qualquer desses partidos apostaria ser impossível ver consagrar a quem liderou
Portugal por entre as tormentas da maior crise da democracia.
Podia até sentir um pouco de satisfação porque, na verdade,
estes actos insanos por parte de quem perdeu as eleições levá-los-á a largos
anos de oposição e penalização política. Mas essa fugaz satisfação é
rapidamente superada pelo asco de perceber que estão a atirar, novamente, o
país para a crise económica a que se seguirá uma maior crise social que tanto
custou inverter nestes 4 anos.
Não terei sentimento algum de compaixão quando assistir à
destruição da base ideológica desta caldeação, agora gerada por aqueles que se
associam por vingança política. Vingança essa que cegamente pensam estar a
exercer sobre quem venceu as eleições mas que, na realidade, estão a fazer
abater sobre o povo português por ter escolhido a continuidade da recuperação
do país, protagonizada por quem livrou Portugal do jugo da Troika.
O resultado desta coligação negativa contra Portugal e
contra o Governo escolhido pelos portugueses será o consagrar de uma
bipolarização do espectro político português já que, havendo acordo entre PS,
PCP e BE, de ora em diante os portugueses já sabem que quando votarem terão de
escolher entre a junção destes partidos ou, por outro lado, a coligação entre
PSD e CDS.
A partir de agora, aqueles que votarem PS, PCP ou BE sabem
que o seu voto pode ser vendido a qualquer um dos outros partidos deste
triunvirato.
Mas se isso nem traz mal nenhum depois de se terem revelado,
o processo que leva a este resultado poderá ser penoso para o país.
E é isso que me amofina.
Todos estão conscientes que não fora o facto de não poder
haver eleições antes de Maio de 2016 e nada disto estaria a suceder, pois todos
sabem, também, o desastroso resultado político para estes partidos se hoje se
repetissem as eleições.
Apostados nessa limitação PS, BE e PCP disponibilizaram-se
para derrubar quem teve mais votos e recebeu mandato dos portugueses mas não
contavam, todavia, com o exercício dos poderes constitucionais pelo Presidente
da República.
É nesta insuportável hipocrisia política que ignora o
superior interesse de Portugal que navega o PS Açores que, ao mesmo tempo que
diz que quem deve governar é o líder do partido mais votado, vê o seu
presidente "honorário" a liderar o grupo parlamentar que toma
iniciativa de derrubar o governo empossado. Afinal para alguns há interesses maiores do que os do povo
que os elegeu!



quarta-feira, outubro 28, 2015
Rádio Graciosa