Assisti nas últimas semanas, com espanto e desagrado, à
convulsão política gerada pela forma como António Costa e o seu núcleo duro têm
lidado com a derrota eleitoral do PS nas eleições de 4 de Outubro.
Muito se tem dito sobre a legalidade ou a
constitucionalidade das intenções de António Costa em querer ser
Primeiro-ministro, mesmo tendo sofrido a maior derrota do PS dos últimos 20
anos. Muito mais se tem dito sobre as desastrosas consequências de levar para o
Governo, ainda para mais numa fase em que o país começa a recuperar da
bancarrota, partidos que são contra a União Europeia, o Euro, os tratados
europeus e ocidentais de que Portugal faz parte e que, em geral, advogam
políticas que significam o isolamento do país e a desconfiança dos investidores
e credores.
Tudo isso é de fácil compreensão e gera na sociedade
portuguesa um certo nojo pela tentativa de assalto ao poder protagonizada por
António Costa e seus apêndices em conluio com BE e PCP.
Mas há algo que me parece mais grave e que não posso deixar
de salientar, numa altura em que a incerteza sobre os próximos meses se vai
apoderando do país.
É mais do que notório que estes jogos e estratégias ocultas
de tentativa de António Costa em salvar o seu actual momento político são
verdadeiramente suicidas para a carreira política do próprio, a que se seguirão
os que o empurram para este devaneio recheado de falta de senso comum.
Sucede que a par desta forma kamikaze de salvar a pele pela
derrota de 4 de Outubro, António Costa e seu séquito estão a dar cabo do PS
empurrando-o para a marginalização por muitos e bons anos.
Não será caso único na Europa um partido habituado a
partilhar o poder ser encaminhado para a berma dos resultados eleitorais como
castigo pelas sucessivas asneiras praticadas pelas suas lideranças, mas isso é
algo que não desejaria para o meu país.
É certo que foi sempre o PS a dar cabo das finanças públicas
e a correr para os braços do FMI nestes 40 anos de democracia, mas é igualmente
desejável que o PS sobreviva a este desaire sem se tornar um partido de
eleitorado residual como sucedeu noutras paragens.
Por mais que não concorde com muito do que é a estratégia
seguida por socialistas como António Costa e seus apoiantes, o seu suicídio
político pode significar o fim do PS enquanto alternativa de governo e isso
pode gerar fenómenos de crescimento de extremismos, com tudo o que isso
significa de retrocesso civilizacional para o país.
Seria sensato que a actual direcção socialista percebesse o
verdadeiro sentido político dos resultados das últimas eleições e interpretasse
com inteligência as razões dos portugueses terem voltado a confiar o seu voto
ao actual Governo de Portugal. E esse resultado significa de uma vez por todas
que o povo português analisa os seus governantes e políticos com muito mais
critério e severidade do que fazia há alguns anos.
Não perceber que hoje as pessoas já não valorizam conversas
bonitas e promessas de facilidades, mas, sim, optam por governos que procuram
não desbaratar os impostos dos portugueses em políticas muito populares no
imediato mas desastrosas num futuro próximo é estar muito longe de ter
percebido que os últimos anos operaram uma revolução na mentalidade dos
eleitores que hoje preferem ter governantes que dizem a verdade e aplicam
políticas de responsabilidade intergeracional.
A atitude de António Costa e restantes socialistas que o
acompanham terá uma resposta nas urnas na primeira oportunidade.
Disso não tenho dúvidas!



quarta-feira, outubro 21, 2015
Rádio Graciosa
