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Rádio Graciosa


25 setembro 2015

Artigo de Opinião de José Ávila intitulado “Défice de verdade ”

Défice de verdade

Depois de enormes sacrifícios impostos aos Portugueses, depois de vários cortes nos vencimentos e nas pensões, depois de inúmeros despedimentos na função pública, depois de tanto cortar na saúde e na educação, era de espectável que se verificassem melhorias a nível económico no nosso país. Puro engano.
Passos Coelho, quando tomou posse, afirmou categoricamente que iria mais longe do que era exigido pela troika e essa deve ter sido uma das poucas coisas que cumpriu.
Nos primeiros três anos da sua governação as medidas de consolidação orçamental inscritas no memorando de entendimento entre o país e os credores externos previam uma poupança na ordem dos 16,9 mil milhões de euros. Passos Coelho, como que a demonstrar que era um bom aluno, espremeu os Portugueses e executou 23,8 mil milhões de euros.
Sabe-se que agora a dívida pública é 36% superior à que este Governo herdou em 2011 e que o défice orçamental de 2014, depois de corrigido, saltou para os 7,2% do Produto Interno Bruto, valor também superior ao que se verificava em 2011.
Esta maioria também se tem gabado da melhoria dos números do emprego. A verdade é que existem menos 217 mil pessoas empregadas do que em 2011, temos mais jovens desempregados, mais desempregados de longa duração e mais desencorajados. Nestes quatro anos saíram do país mais de 480 mil Portugueses em busca de um futuro melhor.
Ter um governo que se gaba de ter os cofres cheios e constatar que mais de 30% dos Portugueses até aos 18 anos estão abaixo do limiar da pobreza, é, no mínimo, uma completa aberração.
Um deputado do PSD disse, em dado momento, que os Portugueses estavam pior, mas Portugal estava melhor, com ar de que o mais importante era o todo e não as partes.
Hoje, depois de todo este esforço, temos, infelizmente, de admitir que nem uma coisa nem outra. Afinal Portugal e os Portugueses estão ambos piores do que estavam em 2011, apesar das mentiras, das ilusões e das desculpas para justificar este estado de coisas.

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