Défice de verdade
Depois de enormes sacrifícios
impostos aos Portugueses, depois de vários cortes nos vencimentos e nas
pensões, depois de inúmeros despedimentos na função pública, depois de tanto
cortar na saúde e na educação, era de espectável que se verificassem melhorias
a nível económico no nosso país. Puro engano.
Passos Coelho, quando tomou
posse, afirmou categoricamente que iria mais longe do que era exigido pela troika e essa deve ter sido uma das
poucas coisas que cumpriu.
Nos primeiros três anos da sua
governação as medidas de consolidação orçamental inscritas no memorando de
entendimento entre o país e os credores externos previam uma poupança na ordem
dos 16,9 mil milhões de euros. Passos Coelho, como que a demonstrar que era um
bom aluno, espremeu os Portugueses e executou 23,8 mil milhões de euros.
Sabe-se que agora a dívida
pública é 36% superior à que este Governo herdou em 2011 e que o défice
orçamental de 2014, depois de corrigido, saltou para os
7,2% do Produto Interno Bruto, valor também superior ao que se verificava em
2011.
Esta maioria também se tem gabado
da melhoria dos números do emprego. A verdade é que existem menos 217 mil
pessoas empregadas do que em 2011, temos mais jovens desempregados, mais
desempregados de longa duração e mais desencorajados. Nestes quatro anos saíram
do país mais de 480 mil Portugueses em busca de um futuro melhor.
Ter um governo que se gaba de ter
os cofres cheios e constatar que mais de 30% dos Portugueses até aos 18 anos estão
abaixo do limiar da pobreza, é, no mínimo, uma completa aberração.
Um deputado do PSD disse, em dado
momento, que os Portugueses estavam pior, mas Portugal estava melhor, com ar de
que o mais importante era o todo e não as partes.
Hoje, depois de todo este
esforço, temos, infelizmente, de admitir que nem uma coisa nem outra. Afinal
Portugal e os Portugueses estão ambos piores do que estavam em 2011, apesar das
mentiras, das ilusões e das desculpas para justificar este estado de coisas.



sexta-feira, setembro 25, 2015
Rádio Graciosa