Ao cabo de duas décadas, e municiados por milhares de milhões de euros,
as políticas de governação dos Açores tornaram-se num verdadeiro caso de estudo
para quem desejar demonstrar o ciclo vicioso de pobreza e desigualdades sociais
- de que se alimenta um poder baseado na dependência do Estado de largos
estratos da população e das relações de domínio económico e social - promovidas
pelo crescimento do sector empresarial regional e do seu peso na economia.
Sempre que ouvimos um qualquer elemento ligado ao partido que governa
os Açores a falar de questões sociais já sabemos que se está a falar de quem
destinou perpetuar baixos índices sociais como forma de garantir a
possibilidade de demonstrar uma qualquer preocupação social.
Na verdade, sempre que um socialista dos Açores fala em questões
sociais está a demonstrar o insucesso das duas décadas da mais pura realização
de um governo socialista maioritário na Europa dos milhões e das contradições.
E isso sucede porque para um socialista dos Açores vinte anos de
políticas sociais, destinadas elevar a Região a um estatuto de desenvolvimento
humano condizente com os parâmetros médios europeus, significam apenas que é
necessário manter os Açores nos piores indicadores sociais ou correm o risco de
perder o apoio subjugado pela necessidade de se ser beneficiário dessas
políticas sociais que encantam a retórica oficial.
É um verdadeiro ciclo vicioso, suportado pela incapacidade de perceber
que o poder absoluto que se alimenta da dependência e do assistencialismo não
sobrevive mais do que uma geração, porque ou a geração seguinte deixou o jugo e
partiu à procura de melhor vida ou está cansada de ver a incompetência premiada
pela bajulação descarada e imprudente!
Estamos perante uma realidade em que não se pode dizer que não há
enormes necessidades sociais nos Açores, porque são os números que o
demonstram. Ainda andamos em habitações degradadas, em falta de condições de
habitabilidade e a discutir os mínimos da decência humana mas, ao mesmo tempo,
temos palácios e zeladores, muitas empresas públicas com belíssimas condições
para os respetivos gestores que, ainda por cima, assumem muitas vezes posições
de força naquela que, supostamente, seria a livre concorrência, aniquilando
mais umas possibilidades da sociedade sair em luta pelo seu crescimento,
naquilo que resulta ser mais uma demonstração de que este é um regime e um
sistema que interessa a alguém não mudar.
Em rigor, se olharmos friamente para o modelo implementado nos Açores
temos puro assistencialismo em contraponto com políticas sociais libertadoras e
potenciadoras de maior inclusão social e de menores resultados no que ao
coeficiente de Gini, por exemplo, diz respeito. Não é equacionável que se
tenham praticado boas políticas sociais e instalado um estado regional social
de sucesso nos Açores e, ao mesmo tempo, mantido o mais elevado índice de
pobreza e a maior diferença entre ricos e pobres de todo o Portugal.
É uma contradição nos termos e só pode significar que o poder
socialista regional continua agarrado a premissas de poder assistencialista
que, tentando parecer muito apropriado, continua a vender verdadeira banha da
cobra no capítulo social, que aparenta muitas propriedades curativas mas, na
realidade, serve unicamente para perpetuar dependências e submissões.
Ser-se lobo em pele de cordeiro em políticas sociais é a única
justificação para, vinte anos depois, os Açores serem os campeões das
necessidades para o desenvolvimento humano.



quarta-feira, setembro 09, 2015
Rádio Graciosa
