Sinto uma grande revolta por ter de voltar a falar do
desespero que vive a ilha Graciosa, envolta num contínuo isolamento e onde é
cada vez mais difícil ter uma mobilidade que permita ambicionar algum
desenvolvimento.
Isso mesmo provam os últimos números das dormidas na ilha,
com os primeiros 5 meses de 2015 a rotularem de descalabro o sector do turismo
que já perdeu, até Maio, mais de 16% de dormidas e outro tanto de proveitos a
que se soma uma diminuição da estada média de 7,5%.
Também os Graciosenses sentem, há bastante tempo, a
dificuldade em encontrar forma de entrar e sair da ilha, com os voos repletos
de listas de espera, no que se revela ser um estrangulamento à mobilidade.
Nada disto é novidade e isso gera enorme revolta, pois são
recorrentes os alertas, as denúncias e os pedidos por melhores horários e maior
disponibilidade de lugares.
Tem sido invariavelmente assim, quando se entra no período
de verão ou de inverno IATA, temos que estar sempre a denunciar o esquecimento
das necessidades da ilha, que são continuamente ignoradas pelos responsáveis
que não podem continuar a sacudir a água do capote, como se não fossem a sua falta
de iniciativa, por um lado, e obediência cega ao directório
político-partidário, por outro, a fazer com que a Graciosa sinta este sufoco
inaceitável.
Depois há a desfaçatez do Governo Regional e do Partido
Socialista, a que se juntam Câmara Municipal e restante claque política, que
insistem em encontrar as desculpas mais estapafúrdias para que a ilha esteja em
acelerado processo de desertificação humana e desaparecimento de negócios ou
ausência de iniciativa, sim, porque as más políticas, o isolamento e o abandono
da Graciosa levam à desesperança, à saída dos jovens e ao encerramento de
negócios.
E se por via aérea está cada vez mais complicado dar à
Graciosa as acessibilidades de que necessita, por mar já se preparam para
deixar a Graciosa a ver navios com as novas obrigações de serviço público
que vão deixar a ilha entregue a uma
sazonalidade que só pode significar uma estratégia de maior abandono e
esquecimento.
Só mesmo a ignorância histórica pode fazer pensar que a
Graciosa não precisa de mais regularidade de transportes marítimos todo o ano,
como existiu em tempos e que permitia a uma ilha que pode produzir no sector
primário, durante todo o ano, uma enorme variedade de produtos ter uma escala
de mercado 10 a 20 vezes superior à sua população! Custa assim tanto a
perceber?
E se não custa perceber também não custa enxergar que não se
podem continuar a desbaratar empreendimentos como as Termas do Carapacho, em
que assistimos a uma forma estranha de anúncios, onde primeiro aparece um
Director Regional a dizer que as Termas iriam ter um novo concessionário que ia
abrir uns gabinetes de fisioterapia mais a piscina de água quente e jacuzzi sem
qualquer concurso, e só depois preparariam um verdadeiro concurso para a
concessão daquele importante espaço! Entretanto, foi o próprio Governo que
abriu as portas da piscina de água quente e jacuzzi e andam a pedir por boca a
quem quiser que manifeste interesse pela exploração daquele local!!! Ou seja,
um não concurso para uma entrega eventualmente já programada, a que não deve
escapar também o Hotel da Graciosa que, já se sabe, deixando de ter as Termas
associadas ao empreendimento deve estar para breve alguma mudança, igualmente
programada politicamente.
Tudo isto desbarata as potencialidades da ilha e afunda,
ainda mais, as ambições das suas gentes.
Tenham vergonha!



quarta-feira, julho 22, 2015
Rádio Graciosa
