Num discurso, proferido no âmbito do Fórum Açoriano Franklin D. Roosevelt, o Subsecretário Regional da
Presidência para as Relações Externas afirmou que não há qualquer discussão
sobre o modelo de desenvolvimento sustentável que tem sido implementado nos
Açores, apresentando, assim, a costumeira visão socialista de que vivemos sob
os auspícios de um regime onde a perfeição encontra expressão na grandiosidade
governativa que o PS implantou nestas ilhas.
No mesmo dia, em
declarações difundidas pela comunicação social, o líder da lavoura dos Açores
apresentava uma visão de força sobre a necessidade da Região receber apoios
suplementares perante o eventual descalabro económico e social que poderá advir
do fim do regime de quotas leiteiras. Para além disso, deixava no ar a ideia de
que a lavoura açoriana está disposta a lutar até ao limite pelas referidas
medidas que venham compensar a, diga-se, insustentabilidade do sector perante a
realidade que só não nos caiu em cima da cabeça, porque já havia sido anunciada
vai para 12 anos.
Pelo meio, vamos ouvindo
os vários sectores da sociedade e da política, com excepção da área socialista,
a reivindicar uma mais bem desenhada presença dos Açores em Bruxelas, seja através
de um gabinete de lobby seja por uma outra qualquer forma de fazermos ouvir a
voz dos açorianos perante os problemas que vivemos.
Se confrontarmos os
dois protagonistas desta dicotomia com a substância das afirmações de ambos
dir-se-ia que estávamos em regiões diferentes, dado que nada coincide entre um
discurso e o outro.
A curiosidade desta situação
tem sobretudo a ver com a velha questão com que nos vamos batendo desde há
muito: O discurso oficial dos governantes socialistas açorianos só adere à
realidade na cabeça deles e são sempre simbólicos os contrasensos quando nos
deparamos com a habitual conversa de que o socialismo dos Açores produziu um
modelo de desenvolvimento sustentável que está para lá de qualquer defeito,
roçando mesmo o verdadeiro Éden na Terra.
Não podia ser mais a
propósito esta declaração de que os Açores vivem um modelo de desenvolvimento
sustentável vir logo do Governante que tem a seu cargo as "relações
externas", já que por via destas parece que os Açores, segundo a análise
do dirigente da lavoura, não se conseguem fazer ouvir. Numa semana em que ficou
patente a quase inutilidade política de quem já se devia ter feito ouvir, por
via da provável insustentabilidade do sector leiteiro no pós-quotas, levando
até a que sejam os Deputados Europeus e o próprio Secretário Regional para a
área da agricultura, mais os dirigentes associativos, a ter de ir a correr procurar
fazer ver a um Comissário Europeu que não vamos a lado nenhum sem mais uma
atenção especialíssima. É absolutamente caricato que tenhamos de ouvir esta
propaganda de quarta classe que nunca fez qualquer bem a um futuro
verdadeiramente sustentável. O que pensarão os interlocutores da Região na
Europa quando ouvem um governante dos Açores, que supostamente nos representa
lá fora, a dizer que vivemos no melhor dos mundos, com um modelo socialista de
desenvolvimento sustentável que faz corar qualquer modelo de desenvolvimento Europeu?
Certamente que, perante isso, ninguém espera que a actividade económica com
maior repercussão na sociedade açoriana não seja, ela própria, sustentável,
perante um anunciado regime de produção liberalizado.
Quando a propaganda
acaba por ser um retrato do ridículo a que se chegou nesta terra, será caso
para dizer: Deus nos acuda!



quarta-feira, abril 15, 2015
Rádio Graciosa
