O que seria de nós
O PS viveu recentemente um dos piores momentos da sua
história. Não me refiro ao facto de - depois de uma vitoria eleitoral - o seu
líder passar a desprezível pelas urdiduras palacianas do nosso socialismo
burguês. Refiro-me ao voto a favor de uma moção de censura à Europa, à União
Europeia, ao Euro, ao Governo, e ao próprio PS.
Perante a esperteza do PCP, que montou mais uma armadilha ao
PS, este demonstrou a incapacidade de tomar decisões difíceis, como seria uma
abstenção na moção de censura, preferindo "ir na onda" e aproveitar
mais uma oportunidade de "malhar" no Governo.
Por aqui ficamos a saber, para além de quaisquer dúvidas,
que se um dia voltarem ao governo e perante alguma coragem política e firmeza
em tomar decisões difíceis, que em última análise sejam uma necessidade de
Portugal, o PS ficará pela decisão mais cómoda, menos contestável e mais
popular, ainda que isso possa fazer o país vir a ter maiores dificuldades no
futuro.
Os últimos 3 anos foram de extremo sacrifício para os
Portugueses. O país conseguiu cumprir com as suas obrigações graças aos grandes
sacrifícios que o povo português tem sabido ultrapassar.
De nada serve aos socialistas dizerem que estamos piores
quando agora conseguimos financiar o país e as suas necessidades, quando o país
gasta mais com o Estado Social do que o faziam os governos do PS, de nada
servirá dizerem que estamos perdidos quando a verdade é que os sacrifícios que
foram feitos foram os necessários para que Portugal pudesse voltar a ter
credibilidade junto de quem nos empresta o dinheiro para vivermos.
Os tempos recentes têm demonstrado que o PS não será capaz
de dar continuidade à recuperação de Portugal. Por um lado, porque no PS cada
um está é preocupado com o lugar que vai ter junto das simpatias do seu grupo
de influência, discutindo o carisma e a popularidade dos seus membros, como se
a embalagem valesse mais do que o conteúdo!
Por outro lado, a falta de personalidade política que leva a
votar contra, só para poder estar na onda de contestação, mesmo não concordando
com o conteúdo, faz-nos ter a certeza de que se chegassem ao governo não seriam
capazes de lidar com momentos mais difíceis que possam aparecer pela frente ao
país.
Imagine-se se tem sido o PS a ter o encargo de gerir o
programa da Troika, em quantos resgates já não iríamos ou então já teriam
abandonado o pântano.
É algo que hoje importa que cada um se questione: como seria
se o PS tivesse de ter tirado Portugal da bancarrota? Quantos recuos já teriam
sido feitos? Teria Portugal terminado o programa de ajustamento ou estaríamos
ainda a discutir um segundo ou terceiro resgate?
E depois de sabermos que hoje, por certo, o país estaria a
braços com muito mais dificuldades olhamos para esse mesmo PS que colocou
Portugal de mão estendida e apenas vemos a preocupação de ter o poder, para
repetirem tudo de novo, porque um partido cuja prioridade é discutir a
popularidade do seu líder, facilmente irá deitar a perder os grandes
sacrifícios que se fizeram.



quarta-feira, junho 04, 2014
Rádio Graciosa
