Este Graciosense viria a ser um professor,
escritor e jornalista de renome nos Açores.
Após concluir o ensino
primário em Santa Cruz da Graciosa,
partiu para a ilha Terceira onde frequentou o Liceu de Angra do Heroísmo, vindo a
concluir o curso do Magistério Primário na Horta.
Rui de Mendonça esteve ligado aos
movimentos de professores mais progressistas, que se preocupavam com as
questões pedagógicas e com a melhoria do estatuto da classe.
O gosto pela escrita manifestou-se desde
cedo. Dedicou-se à poesia
e ao teatro,
tendo ficado algumas de suas peças por publicar.
Escreveu poemas e peças de teatro, uma
delas foi “A Flor da Serra” de 3 atos, escrita na ilha Graciosa e apresentada
no Teatro Graciosense a 30 de Abril de 1916, com música de Francisco Augusto
Cordeiro Júnior.
Além de ter colaborado em vários
periódicos, Rui de Mendonça dirigiu o jornal "A Ideia", editado nas Velas, em 1929. Usou o pseudónimo
“Jayme Velho”.
Rui de Mendonça uma figura austera, homem
de cultura e dotado de um grande espírito de justiça e de solidariedade, que
levou ventos de modernidade a São Jorge.
Correspondeu-se e privou de perto com uma plêiada
de intelectuais, músicos e políticos da época, entre eles Francisco Lacerda,
Vitorino Nemésio e João Soares, pai de Mário Soares.
Republicano, Rui de Mendonça manteve a sua
ideologia por toda a vida.
Em 1931, no contexto da Revolta dos Deportados, foi nomeado
representante da Junta Revolucionária para toda a ilha e Administrador do
Concelho das Velas. Dominada a revolta pelas forças legalistas, esteve preso e
foi expulso do ensino.
Devido a um golpe falhado para derrubar
Salazar, Rui de Mendonça acabou por sofrer as consequências da sua coragem com
a exoneração do ensino e a sua prisão no Faial. Ficou incontactável por três
semanas numa cela na Horta e depois é transferido para cativeiro no Castelo de
São João Batista, na Terceira, mas acabou por não ser deportado para o Tarrafal
em Cabo Verde, como estava previsto.
Rui
de Mendonça nunca requereu a reintegração como professor, nem sequer a
aposentação a que tinha direito. Sobreviveu desempenhando a profissão de advogado
provisório e continuou a manifestar ideias contrárias ao Estado Novo Português, pelo que foi
referenciado pela PIDE
como opositor.
Rui de Mendonça casou com Rosa Soares de
Ávila, natural do Pico e igualmente professora primária. Do casamento nasceram
6 filhos.
A sua paixão pelas coisas do mar levou-o a
construir uma armação baleeira nas Velas.
Rui de Mendonça foi iniciado na Maçonaria,
num Triângulo de Angra do Heroísmo, em 1931, tendo transitado
para a Loja "8 de Abril". Foi nomeado
delegado maçónico do Grande Oriente Lusitano, para a vila das
Velas.
Rui de Mendonça destacou-se ainda como
poeta romântico-parnasiano, com poesias dispersas por jornais, revistas,
cadernos e papéis avulsos, que a família recolheu, editando postumamente um
volume com o título “Poemas”, em 1969.
Rui de Mendonça morreu nas Velas, a 30 de Janeiro
de 1958,
quando tinham 62 anos.
A 9 de Junho de 1989 foi condecorado a título
póstumo com o Grau Oficial da Ordem da Liberdade, pelo então presidente da
República Mário Soares.
Um Graciosense notável que a Rádio
Graciosa homenageia.



sexta-feira, junho 07, 2013
Rádio Graciosa