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Rádio Graciosa


07 junho 2013

Notável desta semana é Rui de Mendonça


 
Rui de Mendonça nasceu em Santa Cruz da Graciosa, a 27 de Abril de 1896.

Este Graciosense viria a ser um professor, escritor e jornalista de renome nos Açores.

Após concluir o ensino primário em Santa Cruz da Graciosa, partiu para a ilha Terceira onde frequentou o Liceu de Angra do Heroísmo, vindo a concluir o curso do Magistério Primário na Horta.

Rui de Mendonça esteve ligado aos movimentos de professores mais progressistas, que se preocupavam com as questões pedagógicas e com a melhoria do estatuto da classe.

O gosto pela escrita manifestou-se desde cedo. Dedicou-se à poesia e ao teatro, tendo ficado algumas de suas peças por publicar.

Escreveu poemas e peças de teatro, uma delas foi “A Flor da Serra” de 3 atos, escrita na ilha Graciosa e apresentada no Teatro Graciosense a 30 de Abril de 1916, com música de Francisco Augusto Cordeiro Júnior.

Além de ter colaborado em vários periódicos, Rui de Mendonça dirigiu o jornal "A Ideia", editado nas Velas, em 1929. Usou o pseudónimo “Jayme Velho”.

Rui de Mendonça uma figura austera, homem de cultura e dotado de um grande espírito de justiça e de solidariedade, que levou ventos de modernidade a São Jorge.

Correspondeu-se e privou de perto com uma plêiada de intelectuais, músicos e políticos da época, entre eles Francisco Lacerda, Vitorino Nemésio e João Soares, pai de Mário Soares.

Republicano, Rui de Mendonça manteve a sua ideologia por toda a vida.

Em 1931, no contexto da Revolta dos Deportados, foi nomeado representante da Junta Revolucionária para toda a ilha e Administrador do Concelho das Velas. Dominada a revolta pelas forças legalistas, esteve preso e foi expulso do ensino.

Devido a um golpe falhado para derrubar Salazar, Rui de Mendonça acabou por sofrer as consequências da sua coragem com a exoneração do ensino e a sua prisão no Faial. Ficou incontactável por três semanas numa cela na Horta e depois é transferido para cativeiro no Castelo de São João Batista, na Terceira, mas acabou por não ser deportado para o Tarrafal em Cabo Verde, como estava previsto.

 Rui de Mendonça nunca requereu a reintegração como professor, nem sequer a aposentação a que tinha direito. Sobreviveu desempenhando a profissão de advogado provisório e continuou a manifestar ideias contrárias ao Estado Novo Português, pelo que foi referenciado pela PIDE como opositor.

Rui de Mendonça casou com Rosa Soares de Ávila, natural do Pico e igualmente professora primária. Do casamento nasceram 6 filhos.

A sua paixão pelas coisas do mar levou-o a construir uma armação baleeira nas Velas.

Rui de Mendonça foi iniciado na Maçonaria, num Triângulo de Angra do Heroísmo, em 1931, tendo transitado para a Loja "8 de Abril". Foi nomeado delegado maçónico do Grande Oriente Lusitano, para a vila das Velas.

Rui de Mendonça destacou-se ainda como poeta romântico-parnasiano, com poesias dispersas por jornais, revistas, cadernos e papéis avulsos, que a família recolheu, editando postumamente um volume com o título “Poemas”, em 1969.

Rui de Mendonça morreu nas Velas, a 30 de Janeiro de 1958, quando tinham 62 anos.

A 9 de Junho de 1989 foi condecorado a título póstumo com o Grau Oficial da Ordem da Liberdade, pelo então presidente da República Mário Soares.

Um Graciosense notável que a Rádio Graciosa homenageia.

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