Hildelberto
José Barbosa Santos Natural de Santa Cruz da Graciosa, nasceu a 1 de Outubro de
1927, filho de Brivaldo Santos e de Maria Ester Barbosa.
Desde
cedo Hildelberto Santos foi um jovem curioso, criativo, empreendedor e com
interesse pela tecnologia. Após o ensino básico e por algum desencanto com o
ensino oficial, o pai emprega-o numa oficina de barbeiro mas o seu enorme
interesse numa formação mais técnica leva-o, por iniciativa própria e com o
forte apoio da mãe, a dirigir-se á Terceira onde se candidata á formação em
Radiotelegrafista na Base das Lajes. Aí conclui com sucesso o curso e inicia
esta atividade. A telegrafia, que empregava a transmissão de sinais Morse era o
único e principal suporte ás comunicações para fora das Ilhas e meio de comunicação
comumente usado em todo o mundo, na altura.
Na
Graciosa, um técnico do Continente colocado na Estação Radielétrica de Santa
Cruz, começa a ministrar um curso Técnico de telegrafia para prover mais
técnicos da área. O jovem Hildelberto Santos retorna á Graciosa para participar
no curso e, depois de prestar exame na Terceira, fica apurado e é colocado na
estação Radielétrica dos CTT de Angra Heroísmo, ficando a viver nessa cidade cerca
de 3 anos.
Hildelberto
Santos, Bertinho como a sua avó materna o chamava, apaixona-se pela jovem Lúcia
Maria Teixeira Ribeiro Santos e casam-se em 1953. Pouco tempo depois o casal
está a viver na Terceira e em 1954 numa vinda á Graciosa nasce a sua filha Maria
de Fátima Ribeiro Santos. De volta ao serviço na Terceira e cerca de dois anos
depois nasce o segundo filho, no antigo Hospital de Angra do Heroísmo, que
tomou o nome de Victor Jorge Ribeiro Santos.
Entretanto
pela evolução nas Telecomunicações e porque Hildelberto Santos tem vontade de
voltar à Graciosa, vai dois anos em formação para S. Miguel. Aqui, em Maio de
1959, no hospital de S. José em Ponta Delgada nasce o terceiro filho
Hildelberto José Ribeiro Santos.
No
início de Junho de 1959, após a conclusão com sucesso das suas formações em
Ponta Delgada, Hildelberto Santos é definitivamente colocado na Graciosa para
ocupar a função de Chefe da Estação Radioelétrica dos CTT de Santa Cruz da
Graciosa, como técnico de telecomunicações, á altura ainda funcionário público do
estado. Nesse tempo começam a ser instalados na Graciosa os primeiros
equipamentos com comunicações de voz, designados de TSF e em 29 de Dezembro de
1961 nasce na Graciosa o seu quarto e ultimo filho, Rui Francisco Ribeiro
Santos. Entretanto em 1969 a Empresa CTT, Correios e telecomunicações de Portugal
passa a empresa pública, e durante a década de 70 o cargo ocupado por
Hildelberto Santos passa á designação de Núcleo de Telecomunicações da
Graciosa, Hildelberto Santos mantem o cargo de Chefia deste departamento até à
sua reforma em 1986.
Com
a família a crescer, e num tempo muito difícil no pais, o seu lado empreendedor
leva-o a pensar numa forma de aumentar os seus rendimentos, não só para
melhorar o nível de vida familiar, mas também para proporcionar um melhor
futuro aos filhos. Esta motivação leva-o a uma experiência, que é comum a
muitos Portugueses na época, a experiência da emigração.
Em
1965 ruma ao Canada, experimenta vários empregos de modo a maximizar os seus
rendimentos e por fim faz uma intensa campanha na apanha de tabaco. Consegue
amealhar algum dinheiro e em 1966 volta á sua terra natal e á sua função nos
CTT. Investe as suas poupanças e inicia um estabelecimento comercial em nome de
sua mulher Lúcia Santos a que dá o nome de Stand Radel. Como o próprio nome
sugere as primeiras e principais atividades deste estabelecimento são a venda
de material elétrico, e a reparação de rádios e outros equipamentos.
Fruto
de muitas horas de trabalho e de muita dedicação do casal e com a ajuda dos
filhos, que desde bastante cedo Hildelberto Santos fez questão que
participassem neste esforço coletivo, com um sentido de pertença e de lhes
transmitir os desígnios da responsabilidade, da partilha e de que nada se
consegue sem esforço, o estabelecimento comercial foi crescendo e consolidando
a sua presença no mercado local tornando-se um estabelecimento de referência.
Hildelberto
Santos era uma pessoa muito organizada que planeava o seu trabalho e tinha
desde sempre um registo escrito desse planeamento, diário, semanal e mensal. Apesar
de não ter vivido na era dos computadores mantinha uma base de dados escrita de
todas as viaturas da Ilha de modo a manter um stock básico e organizado de
peças para melhor servir os seus clientes, tinha também um forte sentido de
pesquisa por novos produtos e soluções de modo a manter vivo e dinâmico o seu
negócio.
Hildelberto
Santos foi desde sempre uma pessoa solidaria, atenta e ativa na sociedade em
que vivia, e manteve desde cedo uma participação cívica a vários níveis. Foi
membro da Santa Casa da Misericórdia, numa altura em que a Santa Casa mantinha
quase exclusivamente a importante função de gerir e manter o Hospital da ilha e
o lar de idosos. Isso obrigava a bastante trabalho dos irmãos daquela
instituição. Nos finais dos anos 60 os irmãos da Santa Casa faziam um peditório
anual por toda a ilha, com o fim de ajudar a suportar as despesas de
alimentação e manutenção do hospital e a Hildelberto Santos cabia a Freguesia
da Luz onde, no seu carro, recolhia os donativos que eram doados generosamente
por todos. Fez também parte de alguns movimentos solidários ligados á Igreja,
foi sócio de todos os clubes de Santa Cruz, e irmão de quase todos os impérios
da Ilha e pertenceu várias vezes à direção do Santa Cruz Sport Club, numa
altura que o clube fez importantes e vultuosas obras para as quais contribuiu
monetariamente, juntamente com outros sócios.
Ainda
na vertente da sua participação na sociedade onde vivia Hildelberto Santos teve
participação ativa na vida política da sua terra, foi vice-presidente da Camara
Municipal nos anos que medeiam entre 1973 e 1974, fez parte de várias listas
eleitorais pós 25 de Abril de 1974 tendo sido uma vez cabeça de lista à Câmara
de Santa Cruz e vereador em dois mandatos.
Hildelberto
Santos exerceu desde finais dos anos 60 até cerca do início da década de 80 o
cargo de gerente da Companhia Baleeira de S. Roque da Ilha do Pico, á qual
pertenciam as lanchas baleeiras, ou gasolinas como também se chamavam na
altura, José Alexandre e Rosa Maria além de vários botes. Mantinha um profundo
gosto pelas atividades de recreio marítimo que, com os filhos partilhou desde
muito cedo e no tempo estival, chegava a ser quase diária a ida á pesca
submarina ou á pesca de linha.
Nos
seus tempos livres, e como atividades lúdicas, além de gostar muito de estar em
família, do mar e da pesca, adorava ouvir música, e tinha pena de não ter
aprendido a tocar um instrumento, piano ou outro qualquer. Apreciava desde música
clássica aos clássicos da música nacional e internacional, como a música francesa
italiana. As orquestras como as de Gleen Miller ou John Filip de Sousa estavam
entre as suas preferidas, e muitas outras músicas e autores. Este gosto deve
ter-lhe sido transmitido pela mãe que tocava piano. Também apreciava bastante cinema
e gostava muito de viajar, tendo conhecido vários países na Europa, América e
África.
Hildelberto
Santos era um fervoroso amante da família como polo principal das suas
atenções. Era um pai dedicado, presente e pacificador, e, como crente e adepto
destes valores, fez questão de os transmitir e consolidar de forma bastante
vincada aos filhos. Tinha um grande prazer em juntar muitas vezes, na sua casa de
verão do Carapacho, a família e amigos para longos agradáveis convívios.
Hildelberto
Santos faleceu e 22 de Agosto de 1994, vitima de doença prolongada.
Mais um
Graciosense Notável a quem a Rádio Graciosa presta a sua devida homenagem.



sexta-feira, maio 10, 2013
Rádio Graciosa
