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Rádio Graciosa


10 maio 2013

Notável desta semana é Hildelberto José Barbosa Santos


 
Hildelberto José Barbosa Santos Natural de Santa Cruz da Graciosa, nasceu a 1 de Outubro de 1927, filho de Brivaldo Santos e de Maria Ester Barbosa.
Desde cedo Hildelberto Santos foi um jovem curioso, criativo, empreendedor e com interesse pela tecnologia. Após o ensino básico e por algum desencanto com o ensino oficial, o pai emprega-o numa oficina de barbeiro mas o seu enorme interesse numa formação mais técnica leva-o, por iniciativa própria e com o forte apoio da mãe, a dirigir-se á Terceira onde se candidata á formação em Radiotelegrafista na Base das Lajes. Aí conclui com sucesso o curso e inicia esta atividade. A telegrafia, que empregava a transmissão de sinais Morse era o único e principal suporte ás comunicações para fora das Ilhas e meio de comunicação comumente usado em todo o mundo, na altura.

Na Graciosa, um técnico do Continente colocado na Estação Radielétrica de Santa Cruz, começa a ministrar um curso Técnico de telegrafia para prover mais técnicos da área. O jovem Hildelberto Santos retorna á Graciosa para participar no curso e, depois de prestar exame na Terceira, fica apurado e é colocado na estação Radielétrica dos CTT de Angra Heroísmo, ficando a viver nessa cidade cerca de 3 anos.

Hildelberto Santos, Bertinho como a sua avó materna o chamava, apaixona-se pela jovem Lúcia Maria Teixeira Ribeiro Santos e casam-se em 1953. Pouco tempo depois o casal está a viver na Terceira e em 1954 numa vinda á Graciosa nasce a sua filha Maria de Fátima Ribeiro Santos. De volta ao serviço na Terceira e cerca de dois anos depois nasce o segundo filho, no antigo Hospital de Angra do Heroísmo, que tomou o nome de Victor Jorge Ribeiro Santos.

Entretanto pela evolução nas Telecomunicações e porque Hildelberto Santos tem vontade de voltar à Graciosa, vai dois anos em formação para S. Miguel. Aqui, em Maio de 1959, no hospital de S. José em Ponta Delgada nasce o terceiro filho Hildelberto José Ribeiro Santos.

No início de Junho de 1959, após a conclusão com sucesso das suas formações em Ponta Delgada, Hildelberto Santos é definitivamente colocado na Graciosa para ocupar a função de Chefe da Estação Radioelétrica dos CTT de Santa Cruz da Graciosa, como técnico de telecomunicações, á altura ainda funcionário público do estado. Nesse tempo começam a ser instalados na Graciosa os primeiros equipamentos com comunicações de voz, designados de TSF e em 29 de Dezembro de 1961 nasce na Graciosa o seu quarto e ultimo filho, Rui Francisco Ribeiro Santos. Entretanto em 1969 a Empresa CTT, Correios e telecomunicações de Portugal passa a empresa pública, e durante a década de 70 o cargo ocupado por Hildelberto Santos passa á designação de Núcleo de Telecomunicações da Graciosa, Hildelberto Santos mantem o cargo de Chefia deste departamento até à sua reforma em 1986.

Com a família a crescer, e num tempo muito difícil no pais, o seu lado empreendedor leva-o a pensar numa forma de aumentar os seus rendimentos, não só para melhorar o nível de vida familiar, mas também para proporcionar um melhor futuro aos filhos. Esta motivação leva-o a uma experiência, que é comum a muitos Portugueses na época, a experiência da emigração.

Em 1965 ruma ao Canada, experimenta vários empregos de modo a maximizar os seus rendimentos e por fim faz uma intensa campanha na apanha de tabaco. Consegue amealhar algum dinheiro e em 1966 volta á sua terra natal e á sua função nos CTT. Investe as suas poupanças e inicia um estabelecimento comercial em nome de sua mulher Lúcia Santos a que dá o nome de Stand Radel. Como o próprio nome sugere as primeiras e principais atividades deste estabelecimento são a venda de material elétrico, e a reparação de rádios e outros equipamentos.

Fruto de muitas horas de trabalho e de muita dedicação do casal e com a ajuda dos filhos, que desde bastante cedo Hildelberto Santos fez questão que participassem neste esforço coletivo, com um sentido de pertença e de lhes transmitir os desígnios da responsabilidade, da partilha e de que nada se consegue sem esforço, o estabelecimento comercial foi crescendo e consolidando a sua presença no mercado local tornando-se um estabelecimento de referência.

Hildelberto Santos era uma pessoa muito organizada que planeava o seu trabalho e tinha desde sempre um registo escrito desse planeamento, diário, semanal e mensal. Apesar de não ter vivido na era dos computadores mantinha uma base de dados escrita de todas as viaturas da Ilha de modo a manter um stock básico e organizado de peças para melhor servir os seus clientes, tinha também um forte sentido de pesquisa por novos produtos e soluções de modo a manter vivo e dinâmico o seu negócio.

Hildelberto Santos foi desde sempre uma pessoa solidaria, atenta e ativa na sociedade em que vivia, e manteve desde cedo uma participação cívica a vários níveis. Foi membro da Santa Casa da Misericórdia, numa altura em que a Santa Casa mantinha quase exclusivamente a importante função de gerir e manter o Hospital da ilha e o lar de idosos. Isso obrigava a bastante trabalho dos irmãos daquela instituição. Nos finais dos anos 60 os irmãos da Santa Casa faziam um peditório anual por toda a ilha, com o fim de ajudar a suportar as despesas de alimentação e manutenção do hospital e a Hildelberto Santos cabia a Freguesia da Luz onde, no seu carro, recolhia os donativos que eram doados generosamente por todos. Fez também parte de alguns movimentos solidários ligados á Igreja, foi sócio de todos os clubes de Santa Cruz, e irmão de quase todos os impérios da Ilha e pertenceu várias vezes à direção do Santa Cruz Sport Club, numa altura que o clube fez importantes e vultuosas obras para as quais contribuiu monetariamente, juntamente com outros sócios.

Ainda na vertente da sua participação na sociedade onde vivia Hildelberto Santos teve participação ativa na vida política da sua terra, foi vice-presidente da Camara Municipal nos anos que medeiam entre 1973 e 1974, fez parte de várias listas eleitorais pós 25 de Abril de 1974 tendo sido uma vez cabeça de lista à Câmara de Santa Cruz e vereador em dois mandatos.

Hildelberto Santos exerceu desde finais dos anos 60 até cerca do início da década de 80 o cargo de gerente da Companhia Baleeira de S. Roque da Ilha do Pico, á qual pertenciam as lanchas baleeiras, ou gasolinas como também se chamavam na altura, José Alexandre e Rosa Maria além de vários botes. Mantinha um profundo gosto pelas atividades de recreio marítimo que, com os filhos partilhou desde muito cedo e no tempo estival, chegava a ser quase diária a ida á pesca submarina ou á pesca de linha.

Nos seus tempos livres, e como atividades lúdicas, além de gostar muito de estar em família, do mar e da pesca, adorava ouvir música, e tinha pena de não ter aprendido a tocar um instrumento, piano ou outro qualquer. Apreciava desde música clássica aos clássicos da música nacional e internacional, como a música francesa italiana. As orquestras como as de Gleen Miller ou John Filip de Sousa estavam entre as suas preferidas, e muitas outras músicas e autores. Este gosto deve ter-lhe sido transmitido pela mãe que tocava piano. Também apreciava bastante cinema e gostava muito de viajar, tendo conhecido vários países na Europa, América e África.

Hildelberto Santos era um fervoroso amante da família como polo principal das suas atenções. Era um pai dedicado, presente e pacificador, e, como crente e adepto destes valores, fez questão de os transmitir e consolidar de forma bastante vincada aos filhos. Tinha um grande prazer em juntar muitas vezes, na sua casa de verão do Carapacho, a família e amigos para longos agradáveis convívios.

Hildelberto Santos faleceu e 22 de Agosto de 1994, vitima de doença prolongada.

Mais um Graciosense Notável a quem a Rádio Graciosa presta a sua devida homenagem.

 

 

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