GUILHERME DA CUNHA RIBEIRO,
natural da Graciosa nascido na Vila de Santa Cruz da Graciosa em 29 de Novembro
de 1902, filho de Manuel da Cunha Ribeiro e de Maria da Conceição Ribeiro,
casou com Leonor da Purificação Teixeira Ribeiro, e deste casamento nasceram 3
filhos, Maria Marília Teixeira Ribeiro, Lúcia Maria Teixeira Ribeiro Santos e
Rodolfo Manuel Teixeira Ribeiro.
Guilherme Ribeiro foi Oficial de
Diligencias do Concelho de Santa Cruz da Graciosa e exerceu como segunda
atividade, para ajuda dos seus encargos familiares, a profissão de alfaiate.
Guilherme Ribeiro, como
normalmente era conhecido, mostrou desde cedo interesse pela leitura, pela música,
pelo teatro, pelo desporto e pela terra, especialmente pela produção
vitivinícola como pequeno produtor.
Foi sócio fundador do Santa Cruz
Sport Club, e contribuiu muito ativamente na sua formação e consolidação, tendo
sido atleta deste clube junto com o irmão, Abel Ribeiro, fizeram parte de uma
das primeiras equipes de futebol que existiram na Ilha, ainda como desportista
gostava da pesca desportiva e da arte de velejar, teve com dois amigos um barco
que permitia a prática regular destas atividades que levava a cabo com muito
prazer.
Ainda como artista e musico
animou bailes e representações teatrais, tocava bandolim e fez parte de
diversas tunas que animavam as festas e espetáculos do SCSC, levou à cena
várias representações teatrais sendo uma das mais celebres o teatro “A Canção
de Lisboa” onde contracenou, no papel de Vasco Leitão com a Sr.ª D. Francisca
Lobão..... Este espetáculo teve enorme sucesso não só na Ilha como fora desta,
no Faial, na Terceira e Pico.
Guilherme Ribeiro era um amante
da leitura e da radiofonia, gostava de estar informado da atualidade social e
política do seu pais, devorava tudo o que na altura podia ler, era ainda
assíduo ouvinte de notícias nacionais e internacionais pois desde cedo teve
radio e sintonizava a BBC de Londres, entre outras rádios internacionais, para
se inteirar da realidade isenta do pais que então vivia um regime de censura e
totalitarismo.
Desde cedo Guilherme Ribeiro foi
um resistente antifascista, convicção que já trazia de seu pai, e chegou a ser
detido para interrogatórios, fez parte de tertúlias onde com algum cuidado se
debatiam os temas da política e de outras áreas da vida social e cultural do
país.
Guilherme Ribeiro era amante da
terra e da vitivinícola, foi um pequeno produtor que com muito prazer fazia os
seus próprios vinhos de mesa, angelicas aguardentes e licores, como é o caso da
Andaia, bebida típica da Graciosa que Guilherme Ribeiro fazia com grande
qualidade e mestria, também como muitos outros Graciosenses na altura, mantinha
a sua casa bem fornecida de fruta e legumes dos pomares e quintais.
Guilherme Ribeiro tinha outra
qualidade que foi bem conhecida de muita gente, A caldeirada do Guilherme
Ribeiro, feita com peixe fresco e variado, polvo, lapas e caranguejos, servia
na sua casa nos terreiros, onde juntava a família e muitos amigos.
Guilherme Ribeiro, era também
conhecido por ter uma memória prodigiosa de todos os eventos que falava,
referia as datas e hora precisas e descrevia de forma jornalística e
pormenorizada toda a situação mesmo que fosse passada há muitos anos, era um
pai de família exemplar, pessoa leal e honesta, amigo do seu amigo e não negava
ajuda a quem lhe demandasse algum favor, era bem conhecido em todas as
freguesias pois entregava os documentos judiciais por toda a ilha.
Guilherme Ribeiro morreu em 13
de Março de 1989 nesta Vila de Santa Cruz da Graciosa que o viu nascer.
Mais um graciosense a quem
prestamos a nossa homenagem e que seguramente seria um apoiante desta rádio se
existisse naquela época.



sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Rádio Graciosa