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Rádio Graciosa


21 dezembro 2012

Notável desta semana é António Medina


António José Medina nasceu a 17 de Setembro de 1920, filho de Manuel José Medina e de António Adelaide Medina, na Rua de Nossa Senhora da Ajuda, em Santa Cruz da Graciosa, onde a família vinda da Freguesia de Guadalupe fixou morada.
Muito cedo começou a frequentar o Tribunal Judicial da Comarca da Ilha, pela mão do então chefe da Secção Central, João Soares, com quem trabalhava num estabelecimento comercial que o mesmo detinha.
A 18 de Outubro de 1944 tomou posse no mesmo tribunal como “copista”, designação dada na altura à categoria de Ingresso nos Tribunais.
Como mostrava grande aptidão no serviço que desempenhava, sendo muito estudioso e desejando ascender na carreira de funcionário judicial, por volta de 1950 foi fazer exame do 2º ano dos liceus, no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, habilitação necessária para poder frequentar o curso de Escrivão de Direito, o que veio posteriormente a acontecer em Lisboa, tendo passado o referido curso de habilitação à carreira com distinção.
Foi nomeado chefe de secção Central, hoje Secretário Judicial do tribunal da Ilha Graciosa, em 22 de Julho de 1953 e promovido a 2ª classe em 19 de Fevereiro de 1964, tendo cessado funções em 17 de Setembro de 1980, aos 60 anos de idade, por decreto publicado um pouco antes.
António José Medina era muito organizado e minucioso, cumprindo com rigor e eficácia os procedimentos processuais e os prazos legais, situação que o levava a muitas horas extras, incluindo Sábados e Domingos, a deslocar-se ao Tribunal, onde estudava diplomas legais, pareceres e jurisprudência.
Funcionário meticuloso e minucioso, António Medina publicou em 1974 um livro jurídico com o título “Custas Judiciais-Notas e fórmulas”, com mais de 700 páginas, editado em Coimbra pela Biblioteca Jurídica Atlântida, livro que era consultado por magistrados e funcionários.
António Medina possuía dactilografado um ficheiro, constantemente actualizado de todas as leis, decretos e portarias publicadas em Diários do Governo da República, com sumário dos respectivos assuntos, que lhe eram de um enorme préstimo, mas que partilhava com gosto a quem lhe pedisse ajuda.
A consideração que merecia pelo seu saber, ultrapassava a fronteira da ilha, sendo solicitado para opinar através de telefonemas e magistrados e colegas e advogados, para troca de ideias sobre legislação e muito particularmente sobre as custas judiciais.
Em todas as inspecções de que foi alvo no decurso da sua carreira e que eram frequentes, anuais ou bianual  nunca teve classificação inferior a Muito Bom, chegando a ficar registada a menção de que tinha o Tribunal a funcionar como um “relógio”. Tal era o zelo demonstrado para que tudo ficasse perfeito nestas, se estavam em ordem todos os procedimentos, as assinaturas bem como os carimbos lançados em papel, que numa das vezes recebeu o comentário de que ele “inspeccionava a própria inspecção”.
Dentro das suas funções estava atento à execução do seu serviço específico, mas também era solícito a ajudar os funcionários que dirigia. A generosidade ia ao ponto de partilhar parte do seu vencimento variável com os seus escriturário que não a recebiam, isto porque o vencimento de António José Medina era constituído por uma parte fixa, acrescida de uma outra variável, em função do valor do serviço efectuado, designado como parte emolumento.
O Senhor António Medina, para além dessa faceta de rigor e de cumprimento dos deveres funcionais, era respeitado pela sua sensatez, nunca se furtava a escutar desabafos, prestar o seu contributo a quem lhe solicitava opinião sobre a legalidade, de uma forma gratuita e com mero espírito de solidariedade.
Na sua vida privada exerceu funções como dirigente da então Comissão de Serviços da Assistência Social, na Fundação da Adega e Cooperativa da Ilha Graciosa, na Comissão Fabriqueira da Igreja Matriz e ainda músico na Filarmónica Recreio dos Artistas, onde tocou saxofone.
A antecipação do limite da idade de aposentação, obrigatória dos 65 para os 60 anos apanhou-o de surpresa, deixando-o profundamente desgostoso pela imposição, precocemente à sua expectativa e programação, de ter de abandonar o Tribunal ao qual tinha dedicado a vida.
Porém pouco depois e na falta de delegado do Procurador da República, num período em que se estruturavam as magistraturas, o Senhor António Medina foi convidado pelo Procurador do Circulo em Ponta Delgada a exercer o cargo como substituto. Exerceu tais funções até 1984, com o mesmo empenhamento e competência de quando era funcionário, merecendo o elogio dos magistrados que com ele privavam ou que tinham conhecimento dos seus despachos, sempre bem fundamentados e pormenorizados.
Após esse período e por reunir as condições necessárias para o efeito, inscreveu-se como solicitador, prestando serviços jurídicos de grande préstimo aos graciosenses, funções que exerceu até à sua morte em 9 de Agosto de 2006, com 86 anos de idade.
António José Medina foi casado duas vezes e duas vezes enviuvou. Do seu primeiro casamento deixou 2 filhos, a quem proporcionou o acesso à formação universitária.
Um Graciosense de qualidades notáveis, que deve seguir de exemplo a todas as gerações e que a Rádio Graciosa homenageia. 

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