A 12 de Maio de 1889 nasceu na
freguesia de São Mateus a mais antiga colectividade da Ilha Graciosa, a
Sociedade Artista União Praiense. Naquela altura um grupo de homens reuniu-se na casa de Francisco Vicente Ramos, na Rua Direita, actual moradia de Leopoldo Moniz, a fim de criar “ Uma Sociedade que tem por fim promover a instrução dos sócios artistas e especialmente desenvolver o gosto pela música”. Nessa reunião estiveram presentes, Manuel Simas Cunha, que presidiu, José João Simas Cunha, Jerónimo de Castro Canto e Melo, António da Cunha Vasconcelos, Manuel Correia Sarmento Júnior, Francisco Lourenço Espinola, Manuel da Cunha Santos, Manuel Jerónimo da Silva, Manuel Rodrigues, Francisco Alberto da Costa, Manuel de Sousa da Silva, José de Castro Canto e Melo e Francisco Vicente Ramos. Desta reunião saiu a primeira direcção, provisória, constituída por Jerónimo de Castro Canto e Melo, o Ver. Aurélio da Cunha Vasconcelos e António da Cunha Vasconcelos.

Os primeiros passos desta
Sociedade não foram fáceis, primeiro porque os princípios monarcas começavam a
desmoronar-se e os ideais republicanos ganhavam força junto das populações,
depois porque mais duas Filarmónicas foram criadas nesta freguesia, “A Rival”
em 1906 e depois a “União Popular” na Fonte do Mato. Tudo isto contribuiu para
uma rivalidade que, em certo sentido, ajudou a manter vivo o gosto pela música
e a vontade de desenvolver estes agrupamentos.
A “União Praiense”, era uma
escola de boa educação, onde o espaço era aproveitado musicalmente, culturalmente
e socialmente, onde a banda ajudava a educar as pessoas, no rigor do
antigamente, é certo, mas sempre com eficiência onde os mais velhos transmitiam
conhecimentos aos mais novos, eram tempos diferentes onde se conjugava o gosto
pela música e a educação cívica.
Foram vários os regentes que passaram por esta
Filarmónica, sábios que deram o corpo e os instrumentos a uma sociedade que nem
sempre passou tempos felizes, várias crises teve esta filarmónica, ao longo da
sua existência, mas, de todas conseguiu sair e manter-se activa, até aos dias
de hoje.
Sempre teve uma responsabilidade
social invejável, onde os seus sócios e músicos tinham oportunidade de conviver
num espaço musical e de cultura. Havia serões para sócios e famílias, teatros,
cinema, onde a filarmónica possuía uma máquina própria para passar filmes, tudo
isto para que aquele espaço fosse de alegria convívio e sabedoria.
Várias foram as sedes por onde
esta filarmónica passou, começou por se instalar na casa de Francisco Vicente,
na Rua Direita, passou pela casa da família de Mariano Bettencourt e mais tarde
pela Escola Primária, local onde passou mais anos de vida, 48, até se mudar
para as actuais instalações a 12 de Maio de 1994. Foi uma alegria enorme a
mudança para a actual sede, porque o sonho dos seus sócios foi sempre de ter
uma sede própria.
Eram um sonho de mais de 100 anos
e só possível com muito esforço e trabalho, fruto de uma comissão que foi
criada para esse efeito e que depois uma direcção presidida pelo Prof.
Valdemiro Vasconcelos vinha a assumir essas responsabilidades.
A 12 de Maio de 1989 a União Praiense teve a alegria de comemorar o seu
primeiro centenário, juntamente com sócios, musicos e todas a população.
Em 1995 a Filarmónica faz uma
digressão às comunidades imigrantes da América do Norte e do Canada, altura em
que gravou o seu primeiro e único CD, prova viva da qualidade desta Sociedade.
A banda participou activamente na
vida da freguesia, nas festas religiosas, profanas, noutras freguesias da ilha
bem como em todo o arquipélago dos Açores.
Hoje em dia a Filarmónica
continua a cumprir os Valores desde a sua fundação, com Manuel José Ramos como
presidente.
É uma sociedade centenária, a
mais antiga da Ilha, que ao longo dos seus anos nunca fechou a porta, apesar de
todas as crises e dificuldades, que a Rádio Graciosa presta aqui a sua devida
homenagem.



sexta-feira, dezembro 14, 2012
Rádio Graciosa