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Rádio Graciosa


14 dezembro 2012

Hoje continuamos a divulgar as constituições e histórias das nossas associações. Iniciamos pelas 14h30 com a Filarmónica União Praiense.



A 12 de Maio de 1889 nasceu na freguesia de São Mateus a mais antiga colectividade da Ilha Graciosa, a Sociedade Artista União Praiense.

Naquela altura um grupo de homens reuniu-se na casa de Francisco Vicente Ramos, na Rua Direita, actual moradia de Leopoldo Moniz, a fim de criar “ Uma Sociedade que tem por fim promover a instrução dos sócios artistas e especialmente desenvolver o gosto pela música”. Nessa reunião estiveram presentes, Manuel Simas Cunha, que presidiu, José João Simas Cunha, Jerónimo de Castro Canto e Melo, António da Cunha Vasconcelos, Manuel Correia Sarmento Júnior, Francisco Lourenço Espinola, Manuel da Cunha Santos, Manuel Jerónimo da Silva, Manuel Rodrigues, Francisco Alberto da Costa, Manuel de Sousa da Silva, José de Castro Canto e Melo e Francisco Vicente Ramos. Desta reunião saiu a primeira direcção, provisória, constituída por Jerónimo de   Castro Canto e Melo, o Ver. Aurélio da Cunha Vasconcelos e António da Cunha Vasconcelos.
Os primeiros passos desta Sociedade não foram fáceis, primeiro porque os princípios monarcas começavam a desmoronar-se e os ideais republicanos ganhavam força junto das populações, depois porque mais duas Filarmónicas foram criadas nesta freguesia, “A Rival” em 1906 e depois a “União Popular” na Fonte do Mato. Tudo isto contribuiu para uma rivalidade que, em certo sentido, ajudou a manter vivo o gosto pela música e a vontade de desenvolver estes agrupamentos.
A “União Praiense”, era uma escola de boa educação, onde o espaço era aproveitado musicalmente, culturalmente e socialmente, onde a banda ajudava a educar as pessoas, no rigor do antigamente, é certo, mas sempre com eficiência onde os mais velhos transmitiam conhecimentos aos mais novos, eram tempos diferentes onde se conjugava o gosto pela música e a educação cívica.
 Foram vários os regentes que passaram por esta Filarmónica, sábios que deram o corpo e os instrumentos a uma sociedade que nem sempre passou tempos felizes, várias crises teve esta filarmónica, ao longo da sua existência, mas, de todas conseguiu sair e manter-se activa, até aos dias de hoje.
Sempre teve uma responsabilidade social invejável, onde os seus sócios e músicos tinham oportunidade de conviver num espaço musical e de cultura. Havia serões para sócios e famílias, teatros, cinema, onde a filarmónica possuía uma máquina própria para passar filmes, tudo isto para que aquele espaço fosse de alegria convívio e sabedoria.
Várias foram as sedes por onde esta filarmónica passou, começou por se instalar na casa de Francisco Vicente, na Rua Direita, passou pela casa da família de Mariano Bettencourt e mais tarde pela Escola Primária, local onde passou mais anos de vida, 48, até se mudar para as actuais instalações a 12 de Maio de 1994. Foi uma alegria enorme a mudança para a actual sede, porque o sonho dos seus sócios foi sempre de ter uma sede própria.
Eram um sonho de mais de 100 anos e só possível com muito esforço e trabalho, fruto de uma comissão que foi criada para esse efeito e que depois uma direcção presidida pelo Prof. Valdemiro Vasconcelos vinha a assumir essas responsabilidades.
  A 12 de Maio de 1989 a União Praiense teve a alegria de comemorar o seu primeiro centenário, juntamente com sócios, musicos e todas a população.
Em 1995 a Filarmónica faz uma digressão às comunidades imigrantes da América do Norte e do Canada, altura em que gravou o seu primeiro e único CD, prova viva da qualidade desta Sociedade.
A banda participou activamente na vida da freguesia, nas festas religiosas, profanas, noutras freguesias da ilha bem como em todo o arquipélago dos Açores.
Hoje em dia a Filarmónica continua a cumprir os Valores desde a sua fundação, com Manuel José Ramos como presidente.
É uma sociedade centenária, a mais antiga da Ilha, que ao longo dos seus anos nunca fechou a porta, apesar de todas as crises e dificuldades, que a Rádio Graciosa presta aqui a sua devida homenagem. 

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