Foi casado com Lurdes Gil Bettencourt Santos e do
casal nasceram 3 filhos.
Estudou na escola de Guadalupe, onde concluiu a
4ª classe e começou desde muito novo a trabalhar na arte de carpinteiro com o
seu pai.
Construía pipas, canecas e violas na oficina no
pai no Centro de Santa Cruz, até que um dia começou a interessar-se pelo mar.
Foi baleeiro durante muitos anos, tinha carta de
trancador e de arrais, do tráfego local, certificados que teve muita
dificuldade em tirar dadas as exigências da época, uma delas era ser filho de
pescador, o que não era o seu caso.
E foi nesta qualidade, que foi mestre da lancha
baleeira “Estefânia Correia”, construída na Vila das Velas pelo Mestre Gambão e
registada na caça à baleia em Santa Cruz da Graciosa.
No fim do verão do ano de 1950, e conhecido um episódio em que apareceu um cardume de cachalotes a cerca de 20 milhas ao Norte da Ilha Graciosa.
Lanchas e botes da armação baleeira de Santa Cruz da Graciosa rumaram para o local do avistamento e após mais um dia como tantos outros, capturaram dois cachalotes.
No fim do verão do ano de 1950, e conhecido um episódio em que apareceu um cardume de cachalotes a cerca de 20 milhas ao Norte da Ilha Graciosa.
Lanchas e botes da armação baleeira de Santa Cruz da Graciosa rumaram para o local do avistamento e após mais um dia como tantos outros, capturaram dois cachalotes.
Os cachalotes foram preparados para o reboquepela lancha “Estefânia Correia”, cujo mestre era Gabriel Santos.
Pela tarde fora daquele dia, o Sol foi desaparecendo e com ele uma aragem de sudoeste, foi aumentando de intensidade com vento e mar que foi aumentando com altas vagas de mar, que lhes dificultava a manobra, obrigando à redução da velocidade da lancha. Mestre Gabriel chamou o motorista Vivaldo Silva também natural da Graciosa, e resolveram aumentar o comprimento do cabo de reboque que lhes facilitou melhor manobra e consequente velocidade.
Com o rumo à Ilha de São Jorge tendo o farol da Ponta do Rosais, por estibordo, a visibilidade era bastante reduzida, dado que começaram a ser fustigados por aguaceiros e mar, pela proa. Foram-se aproximando desta ilha, para lhes dar abrigo rumando, ao que lhes parecia, para próximo das fajãs do Norte, onde permaneceram por largo tempo junto à costa.
Como o vento e mar tinham abrandado, com receio de que rodasse para noroeste, resolveram continuar, tendo parado a Ponta dos Rosais, com muito mar tendo arribado, até Baia das Arraias, perto do Morro das Velas, onde se abrigaram.
Em terra, tanto na Graciosa, como no Cais do Pico, a lancha foi dada como desaparecida em virtude de não haver notícias do seu avistamento, até que, no segundo dia de manhã, o faroleiro João Raulino do Farol da Ponta dos Rosais, para onde tinha sido pedido ajuda, informou à fábrica do Cais do Pico, que a lancha se encontrava ali naquela baia, para onde seguiu uma traineira da pesca do atum, mandada pelo armador António Tavares de Melo para lhe prestar auxilio e rebocar as baleias.
A lancha “Estefânia Correia” foi na Graciosa uma embarcação muito importante, pois devido às poucas condições de hospital, transportou muitos doentes da Graciosa, para o Hospital da Ilha Terceira.

Muitas vidas foram salvas muitas vezes em situações
de grande risco, mas em que a embarcação comandada pelos seus mestres, um
deles, Gabriel Santos, conseguia acudir a população.
A vida de Gabriel Santos foi marcada por muito
trabalho, tendo em vista o sustento da família, muito difícil naquela época.
O
seu trabalho no mar não se ficou só pela caça à baleia, também andou na pesca
do atum. Fez parte da tripulação da atuneiro São Pedro Gonçalo da Graciosa,
na altura em que ainda laborava a Fábrica de Peixe de São Mateus.
Gabriel da Cunha Santos, era um homem muito corajoso
e por isso quando a caça a baleia começou a perder força decidiu emigrar para
os Estado Unidos, com a família.
A vida de emigrante foi marcada por muito
trabalho na indústria da borracha, até se reformar e começar a repartir o seu
tempo entre a Graciosa e os Estados Unidos.
No final da sua vida, já muito doente, conseguiu
cumprir o seu grande desejo de morrer na sua terra natal. E assim foi, morreu
na Graciosa a 10 de Junho de 2006, no mesmo dia em que chegou à ilha.
Fica aqui esta pequena homenagem a mais um homem
que se distinguiu na sua terra e que por isso a Rádio Graciosa recorda aqui
mais este notável.



sexta-feira, novembro 02, 2012
Rádio Graciosa