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Rádio Graciosa


23 novembro 2012

Notável desta semana é Diógenes Lima






Diógenes da Silva Lima, nasceu a 4 de Dezembro de 1920, na freguesia de São Mateus do concelho de Santa Cruz da Graciosa e era filho único de Manuel de Sousa Lima, cabo da guarda-fiscal e Noémia da Luz Silva, doméstica.



Diógenes frequentou a escola da sua freguesia completando a antiga 4ª classe e começou a trabalhar, por volta de 1936 para a empresa de fazendas e mercearias, Costa e Medina Limitada, mas mais tarde, por volta de Outubro de 1941 adquiriu este negócio sediado na Rua Fontes Pereira de Melo, em São Mateus.

Quando tinha 18 anos construiu o seu primeiro autocarro, era uma miniatura em madeira e assim mostrava já interesse por esta área. Actualizava-se através das revistas da 1ª e 2ª Guerra Mundial e aos poucos adquiriu alguns conhecimentos de mecânica.

 

Foi em Junho de 1948 que recebeu o primeiro táxi, um Austin e um ano depois chegava a segunda viatura da mesma marca, seguindo-se depois mais duas viaturas. No total em 1954 tinha já quatro viaturas para aluguer com condutor.

Um negócio que Diógenes Lima fez crescer aos poucos até que em 1954 comprou um chassis de um autocarro, que chegou à Graciosa a bordo do navio Lima.



O seu desembarque foi muito complicado e envolveu um batelão e uma lancha baleeira, tais eram as dificuldades na descarga de materiais pesados na época.

A carroçaria deste autocarro foi totalmente feita na Graciosa pelos irmãos João e Manuel Machado, na actual rua Fontes Pereira de Melo em São Mateus.

 Construída em madeira e forrada a alumínio, até os estofos foram feitos à mão na Graciosa. Assim foi construído o seu primeiro autocarro pois era totalmente impossível com os meios da época descarregar um autocarro inteiro na Ilha. Tempos muito difíceis como se pode calcular.

A primeira vez que esta viatura circulou foi a 23 de Outubro de 1954, deu início aos transportes colectivos da Ilha Graciosa, com duas carreiras por semana, às Quartas, com saída às 8h30 de São Mateus e seguia pela Luz Guadalupe e terminava em Santa Cruz. Aos Sábados, à mesma hora, realizava-se o percurso de Praia, Lagoa e Santa Cruz. À tarde realizava-se o percurso inverso.

 

A procura foi aumentando e a partir de Dezembro de 1957 passa a haver carreiras diárias, na altura a empresa de Diógenes Lima tinha já mais duas viaturas, uma de cargas e outra de passageiros.

A sede da empresa era em São Mateus, mas em 1958, fecha o estabelecimento “Costa e Medina” e muda-se para Santa Cruz, para alguns anos mais tarde a empresa de transportes passar a chamar-se Diógenes da Silva Lima e Filhos Limitada.

Diógenes Limas tinha um espírito empreendedor e ao mesmo tempo que desenvolvia a empresa de transportes colectivos, continua a investir nos táxis, tendo chegado a ter 10 viaturas em circulação, distribuídos pelas praças das quatro freguesias.

O negócio teve uma pausa a seguir à revolução de 1974, tendo mais tarde deixado também o serviço de transporte de mercadorias.

Após o 25 de Abril, muitas foram as dificuldades por que passou, mas conseguindo que o negócio não morresse. Chegou a comprar viaturas na Madeira em segunda mão e foi a primeira empresa de transportes do país a abolir a figura do cobrador. Os próprios condutores passaram a cobrar os bilhetes à entrada dos passageiros, enquanto antes o cobrador percorria o autocarro a fazer as cobranças enquanto já seguiam por terra dentro.

Era através de cartas e telegramas que comunicava com os bancos para conseguir a denominadas “letras”, conseguindo o dinheiro para ir expandindo o negócio que nunca se mostrou muito lucrativo, tais são os custos e despesas obrigatória que este tipo de empresas também tinham e ainda hoje tem que cumprir.



Os conhecimentos de Diógenes Lima e a confiança de alguns fornecedores amigos levavam a que conseguisse que o prazo para pagamento das dívidas fosse facilitado.

Foi em 1980 que a empresa até então familiar, transformou-se em Empresa de Transportes Colectivos da Ilha Graciosa, com a participação maioritária da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa no capital social.

 

Ao longo deste percurso os transportes colectivos tiveram um papel importante na cultura da ilha, com as voltas à ilha de grupos de bailinhos e fantasias, dando outra animação ao Carnaval da Graciosa e que até hoje se mantém, mas também de transporte de governantes e suas comitivas bem como turistas.

A vida de Diógenes Lima foi de muito trabalho e cheia de dificuldades devido aos fracos recursos que havia na época.

As dificuldades económicas, falta de meios e conhecimentos técnicas marcaram o percurso desta empresa, que chega aos dias de hoje com uma grande importância.

A frota actual é de 14 viaturas, tem inúmeras carreiras que correm toda a ilha assegurando transporte escolar, para eventos tradicionais, como a volta aos clubes das fantasias e excursões.

Muitas são as histórias que muitos graciosenses têm sobre este meio de transporte, com as carreiras desta empresa a serem ao longo destes anos o único meio de transporte de muitas famílias e por isso teve um grande papel no desenvolvimento da ilha.

 

Diógenes da Silva Lima era também um homem de família, foi casado com Maria Margarida Bettencourt, com quem teve 4 filhos antes de se divorciarem. Depois elege como companheira Lurdes de Nazaré Medina, que esteve com ele até à sua morte em 19 de Fevereiro de 1988, na Vila de Santa Cruz da Graciosa, vítima de doença cardíaca.

Criou os filhos nestas andanças dos transportes e hoje são dois filhos que seguem com esta empresa, que herdaram do pai e que gerem dia a dia, ultrapassando dificuldades e obstáculos, tal como o pai o fez.

Diógenes Lima era sem dúvida um homem dinâmico, empreendedor e muito trabalhador, um graciosense notável a quem a Rádio Graciosa presta homenagem.































































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