Maria Nazaré Melo e Silva, nasceu
a 26 de Julho de 1929 na Freguesia de Guadalupe, filha do casal João Tomás
Bettencourt e Rosa Nazaré Cunha Simas Bettencourt.
Desde muito pequena começou a
interessar-se pela actividade musical e foi ao longo dos anos cultivando esse
gosto.
Tinha à volta de 6 anos, quando
aprendeu a tocar piano, com Filomena Mendes, irmã de Palmira Mendes. Era tão
pequena ainda, que nem chegava com os pés aos pedais de um harmónio de pé, onde
tocou os primeiros acordes.
Mais tarde aperfeiçoou a técnica
com Padre Virgínio Machado, que classifica como um professor muito exigente. Na
altura levavam anos a aprender solfejo e também anos a tocar a escala de
Shumoll, preparação que exigia paciência e dedicação que nunca faltaram a Maria
Nazaré.
Nessa altura foi organizada uma
Capela de qualidade no Guadalupe, com cerca de 40 vozes, sob orientação de
Padre Virgínio, autor do hino da Senhora de Guadalupe e foi ai que Maria Nazaré
começou a acompanhar os grupos corais.
Educada numa altura em que nem
havia clubes, Maria Nazaré e as jovens daquela geração gostavam de fazer parte
da capela, porque não havia outras formas de divertimento.
Estes grupos aproveitavam para
fazer ainda peças de teatro, com Maria Nazaré a tocar músicas mais complicadas,
para agradar ao grande número de pessoas que assistia a estes eventos.
Sempre pronta a participar em
qualquer evento cultural, Maria Nazaré chegou a tocar com o pai João Tomás,
canto gregoriano e ainda com Francisco Bettencourt e Silva e Manuel Inácio.
Quando era criança, existiam só
no Guadalupe 11 pianos e por isso as meninas divertiam-se muito, juntando-se em
cada uma das casas para tocar e dançar. Maria Nazaré passou muitas tardes de
Domingo nestes convívios.
O início dos bailes nas casas
particulares, também foi acompanhado por Maria Nazaré e gostava particularmente
dos bailes realizados na casa de João Silva.
Mais tarde foi fundado o clube,
num edifício doado por um graciosense emigrado. Era Maria Nazaré que em
conjunto com Guadalupe Santos tocava nos bailes, pois nessa altura ainda não
havia orquestra. O piano animava os bailes, mas as modas de viola ocupavam a
maior parte na noite. Tangos e Valsas eram as músicas preferidas da época e que
Maria Nazaré tocava com muita destreza.
A música dos anos 60, marcou
muito a sua vida musical e é com emoção que lembra sempre essa época, em que as
pessoas se divertiam muito mais e havia musicas e modas muito alegres.
Tudo mudou com as novas
tecnologias e foi-se perdendo estas formas de convívio em que organistas como
Maria Nazaré eram a alma da ilha.

Numa entrevista dada a um livro
do Padre Norberto Pacheco sobre a história da música na Graciosa afirmou “Para
mim, cada vez mais sinto que gosto da música, quer esteja alegre, quer esteja
triste. A música fala-nos e distrai-nos: faz parte da nossa vida do dia a dia”.
Envolvida nos Grupos Corais como
organista e desenvolvendo actividades culturais, assim ficou conhecida como a
D. Nazaré de Guadalupe em toda a ilha.
Maria Nazaré é casada com
Elisiário Correia Melo e Silva, casamento de que existem dois filhos e a sua
principal profissão foi de retalhista.
Possuía um estabelecimento
comercial no Largo da Freguesia de Guadalupe, junto à sua moradia familiar.
Hoje com 83 anos, passa o seu
tempo em convívios com as amigas sempre que pode e continua a tocar na capela
da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe.
Uma pianista e dinamizadora
cultural que marcou a história da música na Graciosa e muito em particular na
sua freguesia de Guadalupe.
Uma graciosense notável a quem a
Rádio Graciosa presta homenagem.



sexta-feira, outubro 26, 2012
Rádio Graciosa

