Não fica completa a história recente
da Graciosa, sem destacar um homem que dedicou o seu saber à ilha que o viu
nascer, bem como à melhoria das condições de vida das suas gentes.
É por isso que hoje vamos recordar
a pessoa que foi Luiz José Coelho.
Quem teve o privilégio de o
conhecer, sabe que era uma pessoa simples, reservado na palavra mas cordial e
aberto a um gesto amigo, permanentemente disponível para colaborar no domínio
das suas perícias, sem auferir proventos próprios pelo desempenho que
desenvolvia com o melhor da sua generosidade, fossem as circunstâncias simples
ou mais adversas, fazendo-o com sentido de cidadania e responsabilidade,
emprestando voluntariamente todo o seu saber e habilidade ao serviço dos outros.
Concluiu o ensino liceal em Angra
do Heroísmo no início da década de 40, e regressou a casa, tendo posteriormente
constituído família, dele descendendo três filhos. Curioso e dotado, desde cedo
se afirmou para além da sua formação académica com outras capacidades,
especificamente na área da mecânica, onde verdadeiramente se distinguiu como
autodidacta, espírito criativo e virtuoso artífice.
O senhor Luiz Coelho era
conhecido em toda a ilha Graciosa, mas também fora dela, quer pela sua
seriedade, destreza e habilidade, quer pela capacidade de trabalho, dedicação
ou empenhamento em construir soluções relacionadas com problemas que
envolvessem as técnicas. E era continuamente solicitado para resolver muitas
dificuldades que usualmente não se conseguiam ultrapassar, sendo raríssimas as
situações que não conseguia superar.

Na sua actividade profissional, Luiz
Coelho, foi dirigente do Radio Farol, um serviço para apoio à orientação da
navegação aérea no meio do atlântico, inicialmente da responsabilidade dos
Norte Americanos da Base das Lajes, e posteriormente transferido para a responsabilidade
da ANA EP.
Foi durante muitos anos
responsável pela central Térmica da ilha, localizada na Barra, propriedade do Município
de Santa Cruz da Graciosa, quando eram precários os meios, os motores
insuficientes, razão porque ocorriam nele frequentes avarias e inúmeras
dificuldades que nunca o desencorajavam de tomar mesmo as mais difíceis providências.
Aliás, naquela época quando eram necessários os seus serviços, quem não se
recorda dos três cortes na energia elétrica, para o convocar a resolver algum
problema, não esquecendo que estava longínqua a existência dos telemóveis?

Para além destas obrigações, Luiz
Coelho, exerceu outras actividades conducentes ao desenvolvimento económico,
cooperativo e social na ilha, destacando-se, entre outras, o cargo de presidente
das Direções da Adega Cooperativa da Graciosa, e do Santa Cruz Sport Clube. Cooperou
com as Companhias baleeiras de Cristiano Mota Soares e a de Santa Cruz, deu
sempre apoio, quando o solicitaram, à Fábrica de Conservas de Manuel Barcelos, à
Sociedade Graciosense de Debulhas Ldª, de José Pestana, e à Empresa de
Camionagem de Diógenes da Silva Lima & filhos Lda., foi examinador das
cartas de bicicletas, etc. Foi ainda da sua iniciativa, e seus colaboradores, quando
pertenceu à Comissão das Festas de Santo Cristo, a organização da primeira
tourada de Praça realizada na ilha Graciosa, em terreno improvisado para o
efeito, junto à antiga escola primária de Santa Cruz.

Luiz Coelho foi proprietário dos
primeiros automóveis privados que circularam nesta ilha, que conduzia com desenvoltura
e muita perícia.
Igualmente tinha um fascínio pelo
mar, sendo reconhecido como um “Lobo do Mar”, prestando nesse âmbito um
inestimável apoio às lanchas da baleia. Tinha uma embarcação de recreio, a
lancha “Júpiter”, que se encontrava ancorada na baia da Barra, com a qual fazia
com os amigos muitos corricos, ou passeios. Luiz Coelho foi pioneiro do turismo
náutico na ilha Graciosa, efetuando gratuitamente, voltas à ilha, caça
submarina, e visitas ao ilhéu da Praia onde se faziam grandes piqueniques. Também
cooperou em vários estudos realizados por cientistas portugueses e estrangeiros
sobre esta ilha.
Ainda no desporto náutico, Luiz
Coelho foi precursor na prática da prancha náutica, rebocada pela sua “Júpiter”
e mais tarde com os Skis na Lancha “Nizalda” de Francisco Barcelos. Outro desporto
lúdico a que se entregou foi o Voleibol, disputado com entusiasmo junto às
ruínas da igreja de São Francisco.

Luiz Coelho, também foi o 1º
radioamador da Ilha Graciosa, evidenciando-se a sua acção aquando do sismo de
1980, emitindo com os seus equipamentos de rádio, da sua residência na rua
Castilho, com energia própria, pedidos de ajuda para o exterior, como o envio
medicamentos necessários para esta ilha, ou informações sobre a situação das
pessoas a pedido dos seus familiares.

Aprumado, mas descuidado no
trajar, era um homem desenvolto, leal e bem disposto, um progressista desperto
para as áreas das inovações tecnológicas.
Mesmo depois de já se encontrar
doente, foram imprescindíveis os seus conhecimentos técnicos e os conselhos
prestados no arranque das emissões da Rádio Graciosa, ainda quando transmitia
na clandestinidade.
Após a sua morte, depois de
doença prolongada, Luiz Coelho foi homenageado por um grupo de pessoas, no seu
Clube, o Santa Cruz Sport Clube, onde foi apresentado um abaixo-assinado, entregue
na Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, solicitando fosse atribuído o
seu nome a uma das artérias de Santa Cruz, como reconhecimento pelos serviços
prestados à sua ilha, o que não veio a suceder.
Luiz José Coelho nasceu a 09/01/1925
e faleceu com 70 anos, a 02/05/1995.
Por tudo o que foi referido nesta síntese sobre a personalidade de Luiz José Coelho, que tinha como divisa “Ajudar os Outros”, a Rádio Graciosa homenageia a memória de mais um ilustre Graciosense.



sexta-feira, outubro 19, 2012
Rádio Graciosa
