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Rádio Graciosa


19 outubro 2012

Notável desta semana é Luiz José Coelho


Não fica completa a história recente da Graciosa, sem destacar um homem que dedicou o seu saber à ilha que o viu nascer, bem como à melhoria das condições de vida das suas gentes.

É por isso que hoje vamos recordar a pessoa que foi Luiz José Coelho.

Quem teve o privilégio de o conhecer, sabe que era uma pessoa simples, reservado na palavra mas cordial e aberto a um gesto amigo, permanentemente disponível para colaborar no domínio das suas perícias, sem auferir proventos próprios pelo desempenho que desenvolvia com o melhor da sua generosidade, fossem as circunstâncias simples ou mais adversas, fazendo-o com sentido de cidadania e responsabilidade, emprestando voluntariamente todo o seu saber e habilidade ao serviço dos outros.

Concluiu o ensino liceal em Angra do Heroísmo no início da década de 40, e regressou a casa, tendo posteriormente constituído família, dele descendendo três filhos. Curioso e dotado, desde cedo se afirmou para além da sua formação académica com outras capacidades, especificamente na área da mecânica, onde verdadeiramente se distinguiu como autodidacta, espírito criativo e virtuoso artífice.

O senhor Luiz Coelho era conhecido em toda a ilha Graciosa, mas também fora dela, quer pela sua seriedade, destreza e habilidade, quer pela capacidade de trabalho, dedicação ou empenhamento em construir soluções relacionadas com problemas que envolvessem as técnicas. E era continuamente solicitado para resolver muitas dificuldades que usualmente não se conseguiam ultrapassar, sendo raríssimas as situações que não conseguia superar.

Na sua actividade profissional, Luiz Coelho, foi dirigente do Radio Farol, um serviço para apoio à orientação da navegação aérea no meio do atlântico, inicialmente da responsabilidade dos Norte Americanos da Base das Lajes, e posteriormente transferido para a responsabilidade da ANA EP.

Foi durante muitos anos responsável pela central Térmica da ilha, localizada na Barra, propriedade do Município de Santa Cruz da Graciosa, quando eram precários os meios, os motores insuficientes, razão porque ocorriam nele frequentes avarias e inúmeras dificuldades que nunca o desencorajavam de tomar mesmo as mais difíceis providências. Aliás, naquela época quando eram necessários os seus serviços, quem não se recorda dos três cortes na energia elétrica, para o convocar a resolver algum problema, não esquecendo que estava longínqua a existência dos telemóveis?

Para além destas obrigações, Luiz Coelho, exerceu outras actividades conducentes ao desenvolvimento económico, cooperativo e social na ilha, destacando-se, entre outras, o cargo de presidente das Direções da Adega Cooperativa da Graciosa, e do Santa Cruz Sport Clube. Cooperou com as Companhias baleeiras de Cristiano Mota Soares e a de Santa Cruz, deu sempre apoio, quando o solicitaram, à Fábrica de Conservas de Manuel Barcelos, à Sociedade Graciosense de Debulhas Ldª, de José Pestana, e à Empresa de Camionagem de Diógenes da Silva Lima & filhos Lda., foi examinador das cartas de bicicletas, etc. Foi ainda da sua iniciativa, e seus colaboradores, quando pertenceu à Comissão das Festas de Santo Cristo, a organização da primeira tourada de Praça realizada na ilha Graciosa, em terreno improvisado para o efeito, junto à antiga escola primária de Santa Cruz.

Luiz Coelho foi proprietário dos primeiros automóveis privados que circularam nesta ilha, que conduzia com desenvoltura e muita perícia.

Igualmente tinha um fascínio pelo mar, sendo reconhecido como um “Lobo do Mar”, prestando nesse âmbito um inestimável apoio às lanchas da baleia. Tinha uma embarcação de recreio, a lancha “Júpiter”, que se encontrava ancorada na baia da Barra, com a qual fazia com os amigos muitos corricos, ou passeios. Luiz Coelho foi pioneiro do turismo náutico na ilha Graciosa, efetuando gratuitamente, voltas à ilha, caça submarina, e visitas ao ilhéu da Praia onde se faziam grandes piqueniques. Também cooperou em vários estudos realizados por cientistas portugueses e estrangeiros sobre esta ilha.

Ainda no desporto náutico, Luiz Coelho foi precursor na prática da prancha náutica, rebocada pela sua “Júpiter” e mais tarde com os Skis na Lancha “Nizalda” de Francisco Barcelos. Outro desporto lúdico a que se entregou foi o Voleibol, disputado com entusiasmo junto às ruínas da igreja de São Francisco.

Luiz Coelho, também foi o 1º radioamador da Ilha Graciosa, evidenciando-se a sua acção aquando do sismo de 1980, emitindo com os seus equipamentos de rádio, da sua residência na rua Castilho, com energia própria, pedidos de ajuda para o exterior, como o envio medicamentos necessários para esta ilha, ou informações sobre a situação das pessoas a pedido dos seus familiares.

Aprumado, mas descuidado no trajar, era um homem desenvolto, leal e bem disposto, um progressista desperto para as áreas das inovações tecnológicas.

Mesmo depois de já se encontrar doente, foram imprescindíveis os seus conhecimentos técnicos e os conselhos prestados no arranque das emissões da Rádio Graciosa, ainda quando transmitia na clandestinidade.

Após a sua morte, depois de doença prolongada, Luiz Coelho foi homenageado por um grupo de pessoas, no seu Clube, o Santa Cruz Sport Clube, onde foi apresentado um abaixo-assinado, entregue na Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, solicitando fosse atribuído o seu nome a uma das artérias de Santa Cruz, como reconhecimento pelos serviços prestados à sua ilha, o que não veio a suceder.

Luiz José Coelho nasceu a 09/01/1925 e faleceu com 70 anos, a 02/05/1995.


Por tudo o que foi referido nesta síntese sobre a personalidade de Luiz José Coelho, que tinha como divisa “Ajudar os Outros”, a Rádio Graciosa homenageia a memória de mais um ilustre Graciosense.

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