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Rádio Graciosa


01 agosto 2012

Aposta nas exportações é chave de crescimento

O grande multiplicador da economia açoriana está associado à exportação de produtos agrícolas. Este facto vem realçar, por um lado, a importância dos laticínios no panorama económico das ilhas e, por outro, a necessidade de estender as exportações destes produtos para outros países.
A conclusão é do estudo "Multiplicadores na economia das ilhas: o caso dos Açores", da autoria de Eduardo Haddad, Alexandre Porsse, Vasco Silver e Tomaz Dentinho, que recomendam a criação de modelos económicos desagregados espacialmente nos arquipélagos, para melhor compreender o funcionamento da economia de cada ilha, avaliando de forma mais correta o impacto das políticas em cada espaço.
De acordo com a investigação, embora os principais motores da economia açoriana sejam, de facto, as exportações agrícolas e as transferências públicas externas (que representam 30% do orçamento da administração pública da Região), os seus efeitos são diferentes. A aposta nas exportações mostra-se, assim, fundamental.
"Isto sugere o desafio de apostar nas exportações de produtos agrícolas para outros países. Também revela que o efeito multiplicador das transferências externas é apenas de 1.31, o que indica que as perdas associadas aos gastos públicos é muito alta. Tudo isto vem reforçar a ideia de que a pequenez e o afastamento justificam a exportação de monoculturas nas ilhas e deverá ser através da melhoria da competitividade dessas monoculturas que será possível promover o crescimento", defendem.
Segundo o documento, pequenas mudanças nas condições do mercado ou nas acessibilidades podem significar grandes modificações nas exportações, o que pode gerar ciclos económicos com efeitos marcados nos meios de subsistência do arquipélago.
A base económica do arquipélago constitui apenas 25.1% da procura final, sendo composta sobretudo pela exportação de laticínios e carne (32.5%), transferências unilaterais (28.1%), outras exportações - transportes, serviços financeiros, e outros produtos agrícolas - (24.4%), turismo (10.4%), e pescas (4.6%). A maioria das exportações segue para o continente português.
No entanto, garantem os investigadores, o panorama económico dos Açores difere de ilha para ilha.
Assim, os laticínios e a carne são mais relevantes na Graciosa e em São Jorge; as transferências unilaterais têm maior importância no Corvo, dado o tamanho da ilha, e na Terceira, por causa da base militar americana; as pescas representam um papel importante no Faial e no Pico; o turismo é maior em São Miguel, no Pico, Faial e Flores; e as outras exportações são mais significativas em São Miguel e em Santa Maria, onde está localizada a NAV.
Segundo o estudo, São Miguel representa mais de metade da economia das ilhas. Desta feita, a ilha maior assume também o papel de maior multiplicador inter-regional.
As ilhas do Grupo Central, por estarem próximas umas das outras, partilham este efeito multiplicador.
As ilhas maiores, São Miguel e Terceira, conseguem ainda alguns dos efeitos multiplicadores da economia das outras ilhas, o que revela a sua posição central no arquipélago.
"Fica claro que as maiores fontes de rendimento do arquipélago são Portugal continental, São Miguel e Terceira - fluxos intermediários - e São Miguel, Portugal continental e Terceira - fluxos intermediários e bens e serviços", pode ler-se.
Estas ilhas, adianta-se, não só captam uma parte importante do impulso externo no resto do arquipélago, como também constituem importantes motores económicos desses espaços.
Diário Insular

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