Gabriel Cunha Silva, nasceu em
Santa Cruz da Graciosa no dia 19 de Março de 1919.
Filho de Manuel da Cunha da Silva
e de Clotilde da Conceição da Cunha, cresceu em Santa Cruz e desde muito jovem
que se ligou à música.
A sua profissão foi de marceneiro,
na qual tinha muito gosto, destacando-se nos seus trabalhos o mobiliário dos
Paços de Concelho.
Mais tarde trabalhou no Grémio,
mas foi na área musical que mais se distinguiu.
Gabriel Silva tocou sob regência de
vários profissionais, alguns eram músicos militares reformados, com destaque para
Manuel Antônio de Barros.
Era músico na posição de
primeiro clarinete, mas
tinha muito interesse em música, pois sabia apenas um pouco de solfejo. Foi
fazendo perguntas e assim aprendeu, tendo chegado a ter lições com Raul Coelho
durante três meses na nossa ilha e foi com ele, que aprendeu já alguma coisa.
Quando se soube na ilha que
tinha estes conhecimentos, surgiram os convites para integrar a Filarmónica
Recreio dos Artistas. Depois de muitas hesitações lá aceitou e em 1964 era
Gabriel Silva que a liderava.
No seu percurso na
Filarmónica de Santa Cruz destaca-se uma viagem a São Jorge em 1965 e no ano
seguinte já com Simões Borges como presidente da direcção foram às Festas de
São João na Terceira. Depois seguiu-se o Pico e em 1968 voltaram à Terceira
para participar no Concurso de Bandas Civis. Como adversários tiveram a Filarmônica da Praia da
Vitória e a Filarmônica do Porto Judeu. Para este concurso a banda preparou-se
com uma selecção de
músicos, da Praia, da Luz e de Guadalupe que apresentaram 3
temas musicais e conseguiram ficar em primeiro lugar, trazendo o titulo para a
Graciosa.

A vida de Gabriel Silva sofreu uma
reviravolta, quando em Janeiro de 1969,
emigrou para a África do Sul, onde
trabalhou numa fábrica na cidade de Joanesburgo.
Aos poucos foi conhecendo a cidade e apercebeu-se que lá não existia
uma banda de música portuguesa e foi aí que idealizou que quando soubesse dizer qualquer coisa em inglês, e quando comprasse um carro, havia de formar uma banda de música portuguesa.
Ao fim de dois anos de vivência em Joanesburgo já
tinha o nome dos elementos necessários, mas foi ele próprio que
teve que comprar os instrumentos. Depois de uma primeira exibição numa
procissão o trabalho da nova filarmónica fói evoluindo e chegou a ter 40 elementos,
com concertos dados em diversos clubes da cidade, com muitas músicas da sua
autoria.
Gabriel Silva esteve à frente da
filarmónica até 1987, ano em que regressou a Portugal e devido ao seu empenho
na área musical recebeu um Louvor passado
pela Comissão Organizadora do
Centenário de Luís de Camões
"...pelas provas de alto patriotismo dadas a favor da comunidade".
Foi no mês de
Dezembro de 1987 que Gabriel Silva voltou à ilha Graciosa, nessa altura já para
descansar e usufruir da sua reforma.
No seu
percurso musical destaca-se ainda a autoria da marcha da Filarmónica Recreio
dos Artistas e do hino do Graciosa Futebol Club, que deixam para sempre o seu
nome marcado na vivência musical graciosense
Gabriel da
Silva faleceu vitima de doença
prolongada a 27 de Julho de 2006, tinha na altura 86 anos dedicados com
muita paixão à música.
Mais um
graciosense notável a que Rádio
Graciosa presta homenagem.



sexta-feira, junho 29, 2012
Rádio Graciosa
