O Dia dos Açores, que se comemora hoje, foi
instituído pelo parlamento açoriano em 1980 (Decreto Regional n.º 13/80/A, de
21 de Agosto), destinado a comemorar a açorianidade e a autonomia. É a maior
celebração religiosa e cívica dos Açores.
A escolha da
Segunda-Feira do Espírito Santo (também conhecida por Dia do Bodo ou Dia da
Pombinha), isto é a segunda-feira imediatamente após a festa religiosa
do Pentecostes, alicerça-se no facto da comemoração do Espírito Santo - em que
se entrelaçam as mais nobres tradições cristãs com a celebração da Primavera,
da vida, da solidariedade e da esperança -, constituir a principal festividade
do povo açoriano.
Formado por
pequenas comunidades isoladas durante séculos, o povo dos Açores manteve cultos
e práticas profundamente populares, totalmente enraizadas no quotidiano que,
apesar da crescente globalização, ainda mantêm um profundo significado, sendo
um dos traços da açorianidade. Entre essas práticas insere-se esta comemoração,
cuja vitalidade se alarga naturalmente a todos os núcleos de açorianos
espalhados pelo mundo, incluindo as comunidades de origem açoriana no sul do Brasil,
e que se exterioriza em celebrações que são tão espontâneas e tão vividas quão
intensas.
O culto do
Espírito Santo nos Açores, resultado da forte influência franciscana no
arquipélago e da conjugação da visão histórica proveniente da ortodoxia teológica
cristã com a visão histórico-profética do milenarismo de Joaquim de Fiore
(formulado como sagração da história), ganhou uma dimensão e um impacto sem
paralelo. A força do culto do Espírito Santo é tão grande que deu ao
catolicismo predominante nas ilhas um carácter especial, tendo sido, inclusive,
uma fonte de constantes conflitos entre a ortodoxia da igreja e as Irmandades
do Divino Espírito Santo. Daí ser um dos traços determinantes da cultura
açoriana.



segunda-feira, maio 28, 2012
Rádio Graciosa