Filho único, de uma família humilde, este jovem viria a ser
a voz que mais falou e defendeu a Graciosa e os Açores.
Era ainda muito jovem quando começou a trabalhar na Caixa de
Crédito Agrícola, profissão que teve que deixar para cumprir o serviço militar
no Ultramar. Foi em Moçambique que cumpriu este serviço, tendo depois
regressado à ilha e aos estudos, onde com a ajuda de uma professora da ilha foi
concluindo o 12º ano, ao mesmo tempo que trabalhava.
Em 1972 trabalhava como ajudante de Registo e Notariado de
Santa Cruz da Graciosa, ao mesmo tempo que ia tirando a licenciatura em
direito, que terminou em 1979.
Já advogado licenciado foi nomeado conservador do registo
Civil e Predial da Horta, cargo que nunca chegou a exercer pois foi nessa
altura que foi eleito deputado regional pelo círculo eleitoral de Santa Cruz da
Graciosa, pelo PS.
Carlos Mendonça foi deputado durante quatro legislaturas
entre 1980-1996, período durante o qual presidiu à Comissão de Organização e
Legislação.
Socialista convicto exerceu dentro do partido altos cargos,
em que se destaca a Comissão Politica Regional e mesmo órgãos nacionais do
partido. Carlos Mendonça foi ainda secretário coordenador do PS Graciosa e na Junta
de Freguesia de Santa Cruz da Graciosa, fez parte da Comissão Instaladora
daquela junta no pós-25 de Abril.
Reconhecido dirigente associativo partidário, Carlos
Mendonça era combativo, dinâmico e entusiasmado pelas causas públicas, o que
levou ao seu reconhecimento no arquipélago e mesmo a nível nacional, sobretudo
entre os socialistas.
Exerceu advocacia até à sua morte, lutando sempre de forma
intransigente pelas causas que defendia, entregando-se a elas totalmente.
Mas se era assim na sua vida profissional, também gostava de
descontrair, em grandes convívios, tertúlias e nas tradicionais festividades
graciosenses como é o caso do Carnaval.
Adorava cantar e era dono de uma bonita voz, sem no entanto
nunca ter pertencido a nenhum grupo.
A escrita também fazia parte dos seus dons, tendo sido autor
de poemas, sem no entanto nunca ter publicado nada, embora nos últimos anos de
vida estava a pensar publicar sem os seus textos políticos.
Na área associativa destaca-se ter sido sócio-fundador da
Rádio Graciosa.
A 30 de Abril de 2002, Carlos Mendonça faleceu no Hospital
de Angra do Heroísmo, vítima de problemas cardíacos, tinha na altura apenas 51
anos. A Graciosa perdia uma das suas vozes e um grande político.
Um
Graciosense Notável a que a Rádio Graciosa presta homenagem



sexta-feira, abril 20, 2012
Rádio Graciosa

