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Rádio Graciosa


12 abril 2012

Encomenda de navios a Espanha é "uma brincadeira de muito mau gosto"


O deputado do PSD Eduardo Teixeira classificou a decisão do Governo dos Açores, de encomendar dois ferryboats a uma empresa espanhola, como "uma brincadeira de muito mau gosto" face aos sacrifícios pedidos aos portugueses.



"O país, a economia e os portugueses estão a fazer grandes esforços, nomeadamente para aumentar as exportações. Só como uma brincadeira de muito mau gosto é que podemos ver este anúncio", afirmou à agência Lusa o deputado social-democrata.

Em causa está um contrato de 18,6 milhões de euros assinado esta semana entre a Atlânticoline - empresa pública detida totalmente pelo Governo Regional dos Açores - e os espanhóis da ‘Astilleros Armon’, para a construção de dois navios para transporte de passageiros e viaturas entre as ilhas do Triângulo, naquele arquipélago.

O concurso público internacional foi lançado em 2011 e mereceu duras críticas dos estaleiros nacionais, que alegaram possuir regras que limitavam o acesso das empresas portuguesas.

Os dois navios serão do tipo monocasco e terão capacidade entre os 333 passageiros e oito viaturas e os 246 passageiros e 12 viaturas.

A entrega está prevista para entre agosto e outubro de 2013, de forma a permitir "alterar substancialmente o método de transporte entre estas ilhas", afirmou, terça-feira, Vasco Cordeiro, secretário regional da Economia, acrescentando que os navios permitirão dar "um novo impulso" à economia das ilhas do Faial, Pico e São Jorge.

"Apesar de se tratar de uma questão muito séria, só por brincadeira é que o secretário regional anuncia uma decisão destas e no dia seguinte pede a demissão", afirmou ainda Eduardo Teixeira, aludindo à saída de Vasco Cordeiro do executivo dos Açores, para se concentrar na candidatura às próximas eleições regionais.

O social-democrata lembra que "se os Açores precisam de barcos já os têm", como os que foram construídos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), negócio que a empresa Atlânticoline acabou por rescindir em 2009.

"Escusam de encomendar ou fretar navios. Têm o ‘Atlântida’ pronto e o ‘Anticiclone’ concluído ao nível do casco, escusam de aumentar as nossas importações, porque o estado do país não está para este tipo de brincadeiras", disse ainda Eduardo Teixeira.

Só os custos com a manutenção do ‘Atlântida’ ascendem, em quatro anos, a cerca de nove milhões de euros, além dos 50 milhões que o navio deveria ter representado como encaixe financeiro para os ENVC.

Com o ‘Anticiclone’, o segundo ferryboat encomendado pelos Açores, a empresa pública de Viana do Castelo já gastou cerca de 14 milhões de euros, nomeadamente em aço, tendo em conta que todo o casco está praticamente concluído, e outro material.

"Face a este cenário, é tempo de o Partido Socialista, de uma vez por todas, se envolver no processo e ajudar a tentar ultrapassar este problema", rematou o deputado do PSD.

Susete Rodrigues

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