O deputado do PSD
Eduardo Teixeira classificou a decisão do Governo dos Açores, de encomendar
dois ferryboats a uma empresa espanhola, como "uma brincadeira de muito
mau gosto" face aos sacrifícios pedidos aos portugueses.
"O país, a economia e os portugueses estão
a fazer grandes esforços, nomeadamente para aumentar as exportações. Só como
uma brincadeira de muito mau gosto é que podemos ver este anúncio",
afirmou à agência Lusa o deputado social-democrata.
Em causa está um contrato de 18,6 milhões de
euros assinado esta semana entre a Atlânticoline - empresa pública detida
totalmente pelo Governo Regional dos Açores - e os espanhóis da ‘Astilleros
Armon’, para a construção de dois navios para transporte de passageiros e viaturas
entre as ilhas do Triângulo, naquele arquipélago.
O concurso público internacional foi lançado em
2011 e mereceu duras críticas dos estaleiros nacionais, que alegaram possuir
regras que limitavam o acesso das empresas portuguesas.
Os dois navios serão do tipo monocasco e terão
capacidade entre os 333 passageiros e oito viaturas e os 246 passageiros e 12
viaturas.
A entrega está prevista para entre agosto e
outubro de 2013, de forma a permitir "alterar substancialmente o método de
transporte entre estas ilhas", afirmou, terça-feira, Vasco Cordeiro,
secretário regional da Economia, acrescentando que os navios permitirão dar
"um novo impulso" à economia das ilhas do Faial, Pico e São Jorge.
"Apesar de se tratar de uma questão muito
séria, só por brincadeira é que o secretário regional anuncia uma decisão
destas e no dia seguinte pede a demissão", afirmou ainda Eduardo Teixeira,
aludindo à saída de Vasco Cordeiro do executivo dos Açores, para se concentrar
na candidatura às próximas eleições regionais.
O social-democrata lembra que "se os Açores
precisam de barcos já os têm", como os que foram construídos nos
Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), negócio que a empresa
Atlânticoline acabou por rescindir em 2009.
"Escusam de encomendar ou fretar navios.
Têm o ‘Atlântida’ pronto e o ‘Anticiclone’ concluído ao nível do casco, escusam
de aumentar as nossas importações, porque o estado do país não está para este
tipo de brincadeiras", disse ainda Eduardo Teixeira.
Só os custos com a manutenção do ‘Atlântida’
ascendem, em quatro anos, a cerca de nove milhões de euros, além dos 50 milhões
que o navio deveria ter representado como encaixe financeiro para os ENVC.
Com o ‘Anticiclone’, o segundo ferryboat
encomendado pelos Açores, a empresa pública de Viana do Castelo já gastou cerca
de 14 milhões de euros, nomeadamente em aço, tendo em conta que todo o casco
está praticamente concluído, e outro material.
"Face a este cenário, é tempo de o Partido
Socialista, de uma vez por todas, se envolver no processo e ajudar a tentar
ultrapassar este problema", rematou o deputado do PSD.
Susete Rodrigues



quinta-feira, abril 12, 2012
Rádio Graciosa
