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Rádio Graciosa


24 janeiro 2012

O artigo de opinião de hoje Intitulado por “O imperativo de mudança “ é da Responsabilidade de João Costa

A Rádio Graciosa deu notícia de um pequeno exercício que fez e onde pretendia demonstrar que o custo de vida é mais elevado na ilha Graciosa.

Pegando num cabaz de produtos essenciais e comparando com preços da ilha Terceira, ficou demonstrado que na Graciosa esses produtos custariam mais cerca de 15 por cento do que na ilha Terceira.

Este exercício não é novo, eu próprio o fiz e disso dei publicidade há vários anos. Com ele fica provado um dos motivos pelos quais não podemos sair deste ciclo vicioso de desertificação, provocada pela falta de empregos que, por sua vez, tem origem na falta de criação de riqueza.

Tudo porque os Graciosenses não podem, com o mesmo nível de rendimentos e de impostos mas com um custo de vida mais elevado na ordem dos 15%, ter capacidade de investimento e empreendedorismo que possibilite esse crescimento. Tudo isto se sabe há largos anos.

O Governo Regional tem vindo a reafirmar que tem adoptado medidas para tornar estas diferenças e estes constrangimentos menores, contudo, a verdade é que para a Graciosa as intenções não se substituem aos resultados, e o que é facto é que, em plena segunda década do século XXI, continuamos com as mesmas queixas que tínhamos na última década do século XX!

Temos noção de que não há receitas milagrosas e que a concretização de um modelo económico que estanque o processo e desertificação de que a ilha padece, exige muito trabalho e muita coragem para mudar certos modelos e certas mentalidades que teimam em não olhar para os Açores em todas as suas nove realidades, para assim potenciar as especificidades que cada um tem para oferecer.

Tem-se perdido muito tempo e está na altura de apostar num modelo económico que permita às ilhas como a Graciosa, não só obter competitividade nos preços dos seus produtos mas também obter mercado para esses produtos. E diga-se que qualidade não falta. O que falta é ir para além de se dizer que temos coisas boas, que até as candidatamos a processos de certificação que são anunciados sempre em vésperas de eleições, mas em S. Miguel não se encontram esses produtos, e regularmente amigos e familiares em outras ilhas pedem-nos que levemos isto ou aquilo.

Tenho dito frequentemente neste espaço que temos condições de produzir bens de grande qualidade. Já no passado o fizemos e o nosso futuro comum passa por isso. Falta-nos assumir com determinação esse desígnio, com outra visão política e apostando num modelo de desenvolvimento que, em ilhas como a Graciosa, se sustente na produção e na comercialização. Desde logo dentro dos Açores, onde continua a não existir um mercado interno!

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