Manuel Machado Ávila nasceu em 10 Maio de 1916, na
freguesia das Doze Ribeiras, Ilha Terceira, no seio de uma família numerosa e
sem grandes recursos financeiros.
Bem cedo, ainda na escola primária, através do desenho já
revelava os seus dotes artísticos, mas só mais tarde, por influência dos
amigos, dos quais se destaca o Coronel Frederico Lopes, continua os estudos na
Escola Industrial e Comercial Madeira Pinto, em Angra do Heroísmo, onde
concluiu o seu curso com elevada e classificação.
Ainda muito jovem publicou alguns sonetos e depois, quadras
de sabor popular na imprensa Terceirense, foi durante algum tempo
correspondente da “A União”, onde publicou com muito mérito diversos trabalhos,
sendo alguns de carácter social e politico que mereceram lugar de honra naquele
jornal vespertino. Foi ainda colaborador assíduo da “Pagina Graciosa” quer
sobre o ponto de vista literário quer na apresentação estética.
Foi na Junta Geral que Machado Ávila encontrou lugar para
trabalhar e onde granjeou a confiança dos seus superiores tendo, por isso
mesmo, sido colocado na Ilha Graciosa, a fim de implantar e supervisionar a
obra de "Construção do Pontão da Ventosa", no lugar de Fenais,
Freguesia de São Mateus.
Acaba mesmo por se radicar definitivamente naquela Ilha em
virtude de aí ter casado e constituído família.
Foi, como responsável pela Secção de Conservação de
Estradas da Graciosa, que dirigiu eficiente e esmerado trabalho na correcção e
pavimentação de estradas, na construção de praças, obras de arte, edifícios
públicos e particulares em toda a ilha.
Contrariamente àquilo que muitas vezes hoje acontece, o Sr.
Ávila, como era conhecido pelos Graciosenses, punha sempre nas suas obras o
"selo" de bem feito e de grande qualidade. Por isso, foi louvado pelo
Secretário Regional do Equipamento Social, em 1985, quando terminou a sua
carreira de funcionário público, com a duração de 42 anos.
Mas a sua obra não acaba aqui.
A sua habilidade natural para o desenho e os seus
conhecimentos arquitectónicos leva-o a "traçar projectos de belas e
funcionais habitações; a sua tendência para as belas artes leva-o a pintar
apreciados quadros, os seus dotes de escultor, fazem-no moldar alguns bustos;
da sua veia poética brotam quadras e sonetos, alguns dos quais, compilados, deram
à estampa o seu livro intitulado "Horizonte Liberto".
Modesto e despretensioso, mas amigo e leal camarada,
depressa mereceu a consideração de todos, nunca esqueceu também as suas
obrigações sociais, já que durante largos anos colaborou com comissões fabriqueiras
de diversas obras de âmbito social e foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia
de Santa Cruz.
“... Enfim um nunca mais acabar..." como diria o seu
grande amigo
Augusto Gomes.
Manuel Machado Ávila via o mundo à sua maneira, à maneira
do verdadeiro artista que era, por isso, muitas vezes foi incompreendido.
Contudo, nunca deixou de ser afável, simples, humilde e de pertencer ao povo
"com o qual sempre se identificou, serviu e amou".
Manuel Machado Ávila faleceu no passado dia 8 de Março de
2001, em Santa Cruz da Graciosa, onde vivia, Graciosense de coração é daqueles
que, no século recentemente acabado, mais fez para que o enriquecimento
patrimonial, cultural e artístico da "sua" ilha Graciosa fosse uma
realidade.
Mais um Notável que a Rádio Graciosa distingue com muita
honra.



sexta-feira, janeiro 27, 2012
Rádio Graciosa
