Traduzir

Rádio Graciosa


14 julho 2011

Registamos 0,8% das denúncias de violência doméstica nos Açores.

Encontra-se já disponível para consulta, a publicação referente ao estudo sobre a Violência doméstica na Região Autónoma dos Açores.

O objecto central em análise foi a violência conjugal denunciada, sendo que os Açores apresentam a mais elevada taxa de incidência de participações por mil habitantes do país, conforme consta dos relatórios produzidos nos últimos anos pela DGAI relativos às ocorrências participadas às Forças de Segurança.

O estudo realizado entre Janeiro de 2009 e Fevereiro de 2010, teve como objectivo o conhecimento da violência conjugal, tendo como ponto de partida as denúncias registadas na PSP dos Açores e foi ainda feita uma análise à natureza dos casos através de entrevistas com chefes e agentes de todas as esquadras e médicos e enfermeiros dos Centros de Saúde. Apenas em São Miguel foram ouvidas vítimas destes crimes.

Em relação à Graciosa, e à sua realidade perante o todo regional, verifica-se que as queixas registadas, corresponderam a 0,8%, sendo a ilha dos Açores com menor percentagem de queixas, a seguir ao Corvo em que não houve nenhuma queixa deste tipo. A taxa de incidência na nossa ilha rondou os 0,6%.

Nos Açores, a maioria das vítimas são do sexo feminino, 91,4%, existindo 8,6% de vítimas masculinas. Uma realidade que se mostra diferente na Graciosa, com as mulheres a serem 84,6% das vitimas e 15,4% no respeitante aos homens, o que faz da Graciosa a ilha com maior percentagem de vitimas masculinas.

Um aspecto positivo deste estudo, é que a Graciosa é das poucas ilhas do arquipélago, em que não há queixas de violência contra idosos, sendo as vítimas 15,4% entre os 15 e 29 anos, 76,9% entre 30 e 44 anos e apenas 7,7% entre os 45 e 59 anos de idade.

Nos Açores 70% das vítimas são casadas, numero que na Graciosa atinge os 83,3%, portanto superior à média regional, sendo no entanto semelhante o factor do estado civil, pois tanto nos Açores em geral, como na Graciosa em particular, a maioria das vítimas tem emprego e são ativas na sociedade, seguindo-se depois as domésticas como o segundo grupo mais afectado. Na Graciosa não houve nenhuma vitima que estivesse desempregada.

O retrato da violência doméstica na Graciosa, resultante deste estudo, indica ainda que a nossa ilha tem a maior percentagem de vítimas sem filhos, 42,9%, mas pelo contrário é a dos Açores a que tem maior incidência de violência sobre vítimas com 3 ou mais filhos, 28,6%.

Na Graciosa, as vítimas não apresentam na sua maioria ferimentos graves.

No retrato aos agressores, o estudo concluiu que na Graciosa a maioria tem entre 33 e 45 anos, 85,7%, e 14,3% são muito jovens, entre os 15 e 29 anos. Graciosa e Santa Maria são as ilhas em que a maioria dos agressores são agricultores e trabalhadores qualificados nas áreas de agricultura e pescas, mais de metade tem apenas 1 filho e os restantes não tem filhos.

Uma realidade já conhecida é o factor álcool como origem da violência doméstica, pois na nossa ilha 69,2% dos agressores consomem álcool e somos a terceira ilha com o valor mais alto desta taxa, como fator desencadeante de violência.

Na Graciosa apenas existe a esquadra de Santa Cruz da Graciosa para receber queixas formais, cujo atendimento a este casos é feito num gabinete de apoio em área reservada, o que só acontece em outras 3 esquadras dos Açores.

Um retrato preocupante da violência doméstica na nossa ilha, números que se sabem ser na realidade maiores, pois muitos casos não chegam ser denunciados.

Este estudo pode ser consultado em: http://web.cesua.uac.pt/ViolenciaDomestica_PT.pdf



Twitter Facebook Favorites More