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Rádio Graciosa


13 julho 2011

Artigo de Opinião de Mercês Coelho intitulado “Contar o que menos conto”.

Contar o que menos conto



No passado fim-de-semana a ilha encheu-se com o colorido dos carros que participaram na edição do III rali da Ilha Graciosa

Houve pretexto para animar quem gosta do denominado desporto automóvel, muito especificamente os protagonistas e aquele outros que seguiram com entusiasmo a prova, qual exame, nem sempre ajustado às expectativas duns e de outros. E sendo desporto, não o é na vertente do exercício físico dos seus praticantes, mas seguramente se inclui no seu recreio/prazer, bem como no âmbito do espectáculo que desenvolve através do exibicionismo das máquinas, do seu poder, ou das manobras de perícia e da agilidade posta nos veículos concorrentes.



A melancólica passividade da Graciosa ficou sobressaltada com os roncos das máquinas.

Tal movimento é já passado, mas o pior é o presente. O ruído faz parte dos nossos dias e com ele temos que conviver. Como podemos e merecemos.



Algumas breves conclusões se podem tirar deste evento. Pontos fortes, são a animação e uma fugaz vitalidade, resultado dos efeitos eventualmente sentidos na vertente turística e na animação dalgum comércio.

Sem desmerecer nas virtudes - e sinto que não tenho mérito para as evidenciar - ressaltam também alguns aspectos negativos que ensombram o mérito da organização de tal evento e que gostaria de partilhar.

À cabeça deles, o episódio que levou ao desvio da rota num dos troços da prova, logo resolvido com um percurso alternativo. E veio de mão humana e com inconfessáveis intuitos de a fazer abortar, pelo menos naquele local, já que foram espalhados pregos e derramado óleo, detectado pela organização a tempo de evitar consequências, que poderiam ter atingido a tragédia.

Pode questionar-se do porquê e com que finalidade, mas ficou a mancha indelével, duma atitude selvática, arrogante, com contornos de criminalidade. Importa pois que sejam tomadas providências eficazes para se dar o necessário correctivo a quem assim despudoradamente agiu.



Do lado dos concorrentes e da sua entourage, também algumas referências de falta de civismo.

E destaco alguns como meros exemplos que presenciei: a passagem em pela Avenida (que não temos mais nenhuma) dos carros em grande estilo, com ruído e velocidade q.b. para incomodar os doentes do Centro de Saúde; uma ultrapassagem mesmo no canto em cotovelo da rua D. João IV com a Marquês de Pombal, feito a um veículo ligeiro por um carro do rali, fora das rotas da provas, que não teve o mínimo senso de rigor em avaliar se por ela vinha algum outro em sentido inverso e com o qual fatalmente chocaria.

Também eu, naquele local, tive uma verrinosa admoestação por parte dum elemento da organização, só porque aguardava o tempo para rodar e voltar a subir a rua que então descera, a tempo de encontrar a Farmácia aberta, perante a factualidade do fecho da rua D. Afonso Henriques ( em frente da Praça). Retorqui com a leveza de que fui capaz perante o facto, mas registei o desagrado perante o que achava meu direito.

Coisas “comigas” estas, coisas que têm mais que contar e das quais menos conto. Ou que se somam às que menos contam.



Ele há gostos para tudo, ou como dizia o meu pai muito recorrentemente, há quem goste!

Verdade insofismável é a de que temos que respeitar os outros se queremos que nos respeitem.

Nós agradecemos.



Graciosa, 13 de Julho de 2011



Maria das Mercês Coelho

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