Foi publicado, no passado dia 7 de Julho, o anúncio do concurso com o sumptuoso objecto de "Planeamento e Requalificação do Centro Urbano de Santa Cruz da Graciosa".
Na verdade, não se trata de todo o centro urbano, pois ficam de fora os pauis. Trata-se de uma obra no valor de 1,3 milhões de euros, à qual se acrescentarmos os 200 mil já gastos com esplanadas e quiosques nos leva a 1,5 milhões de euros para a renovação da Praça e a construção de um pavilhão para, segundo o Sr. Presidente da Câmara, dar festas para crianças!
Esta será, portanto, a obra de regime do actual Presidente, empenhadíssimo em deixar a sua marca de "modernidade" na Praça ex libris da Vila Graciosense.
Convenhamos, a Praça precisa de alguns arranjos. Desde logo os bancos e uma necessária manutenção do coreto (que não deve ser abandonado por puro ressabiamento). Mas gastar uma fortuna numa obra ornamental, que mais parece motivada por uma incontrolável vaidade presidencial, nos tempos que correm, merecia outra reflexão.
Quando começou o mandato autárquico, este Presidente elencou as suas prioridades. "Urgentíssimas", dizia, mas que, até hoje, teimam em não ver o empenhamento que seria exigível, mais a mais quando estamos numa época em que qualquer despesa pública deve ser encarada com um cuidado especial. Mais especial ainda quando falamos do maior investimento desta Câmara até à presente data.
Importa, pois, perguntar, por que não avança rapidamente o projecto da zona industrial? Não seria lógico que uma ilha com necessidade de promover condições para o investimento privado se empenhasse em dar condições para que esse investimento ocorra? Recordo que no seu manifesto eleitoral dizia: "Construir, com carácter de urgência, o Parque Industrial". Bem, parece que o que passou a ser urgente é "arejar" a Praça de Santa Cruz!
Quando se opta por uma obra apenas pela sua visibilidade mundana, e se esquecem as grandes áreas de importância para a ilha, ao mesmo tempo que se adiam projectos de interesse fulcral como o do parque industrial, não se está a mostrar competência, nem a gerir bem o que é de todos.
Talvez fosse mais urgente aplicar aquele milhão e meio de euros em algo mais (re)produtivo, em matérias mais propícias a estimular a economia local e em desenvolver projectos, por exemplo, na área agrícola, onde muito se pode fazer numa ilha cujas potencialidades merecem ser estimuladas, atraindo mais investimento e cativando a instalação de mais empresas, ou, simplesmente, criando condições para a expansão e crescimento das que já existem.
São escolhas, são opções, são orientações. Cada qual faz a sua!



sexta-feira, julho 29, 2011
Rádio Graciosa
