Recorde-se que a Comissão Europeia registou a denominação “Alho da Graciosa” como IGP, ao abrigo do Regulamento de Execução (UE) 2021/2035 da Comissão, publicado em Jornal Oficial da União Europeia, L 416, de 23 de novembro, pelo que a partir dessa data, passou a estar inscrito no registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas da União Europeia.
Entende-se por IGP uma denominação que identifique um produto originário de um local ou região determinados, (ou de um país), que possua determinada qualidade, reputação ou outras características que possam ser essencialmente atribuídas à sua origem geográfica e em relação ao qual pelo menos uma das fases de produção tenha lugar na área geográfica delimitada.
A certificação do Alho da Graciosa por um dos regimes de qualidade da União Europeia, neste caso o IGP, tem grande relevância para esta cultura específica, esperando-se que daí resultem mais valias para os agricultores e para a agricultura graciosense, desde logo ao nível da valorização do produto, da melhoria do rendimento dos produtores e da abertura de novos mercados.
O Alho da Graciosa junta-se, desta forma à carne dos Açores e a meloa de Santa Maria, produtos açorianos com selo IGP.
Descrição: O “Alho da Graciosa” da espécie Allium sativum L., apresenta-se na forma de bolbos, no estado seco, de forma individual ou agrupado em réstias, com diâmetro mínimo de 3 centímetros, medidos de um lado ao outro do bolbo descascado. Os bolbos, com forma ovoide e envolvidos por várias túnicas brancas facilmente destacáveis, são constituídos por bolbilhos, revestidos por túnicas de cor rosa avermelhada e dotados de textura firme e macia. Da sua composição química, destacam-se valores elevados de zinco (superiores a 7 mg/kg), ferro (superiores a 8 mg/kg); magnésio (superiores a 170 mg/kg) e alicina (superiores a 3 500 mg/kg), a qual confere ao «Alho da Graciosa» características conservantes dos alimentos.
Método de produção: Para a produção do Alho da Graciosa são selecionados terrenos com boa exposição solar e abrigados de ventos fortes dominantes. O terreno é preparado no início do Outono e são selecionados os melhores alhos das cultivares da ilha Graciosa, isto é, cabeças sãs, isentas de pragas e doenças, com os dentes externos maiores e cor rosa avermelhada. A plantação é realizada, sobretudo, nos meses de dezembro e janeiro. A colheita é realizada quando a folhagem está seca, o que costuma ocorrer durante o mês de junho. As plantas ficam a secar, expostas ao sol, dois ou três dias, quando as condições climáticas permitirem. Podem também ser secas em molhos (plantas inteiras com os bolbos entrelaçadas) num local coberto.
Características particulares: Ao olfato, os dentes do «Alho da Graciosa» distinguem-se por um aroma de intensidade média/baixa, mesmo sem serem esmagados. Do ponto de vista gustativo, apresenta sabor de intensidade alta, muito agradável e com pouca persistência.
Área de produção: A área geográfica de produção do Alho da Graciosa, é a ilha Graciosa, no arquipélago dos Açores.
História: O alho implementou-se com sucesso na ilha Graciosa, desde a chegada dos primeiros povoadores no início do século XV, devido às condições edafoclimáticas propícias ao seu cultivo. De geração em geração, o Alho da Graciosa tem sido melhorado, pois os produtores guardam, para propagação, os melhores exemplares e aqueles que preservam as principais características, como a cor e o tamanho. Desde o início do povoamento, o regime das chuvas e a fertilidade dos solos revelaram-se favoráveis à cultura de produtos horto frutícolas, sendo o alho produzido pelos habitantes da ilha.
A Graciosa sempre foi conhecida como a “Terra do Alho”, figurando este produto, em destaque, no brasão da freguesia de São Mateus.


sexta-feira, julho 21, 2023
Rádio Graciosa
