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30 dezembro 2015

Artigo de Opinião de João Costa intitulado “As contas de 20 anos ”

Desde há já muitos anos, que o Tribunal de Contas vem alertando e recomendando por causa das opções seguidas pelo poder nos Açores e fazendo reparos para a atenção que o Governo Regional lhe dava e que era pouca ou nenhuma.
Desde, pelo menos, os tempos em que Vasco Cordeiro se abeirou do Governo Regional e, em especial, desde que Sérgio Ávila se apoderou das finanças regionais que o Tribunal de Contas, a que se junta um coro mais ou menos uníssono das oposições, vem divulgando isto das dívidas, avales, uma teia de empresas regionais, sociedades de participação para tudo o que mexe - ou outras tantas formas de comprar o substrato do poder em que se consubstancia o voto daqueles que se mostram cada vez menos iludidos com esse poder - que, em vinte anos deixou os Açores com os piores indicadores sociais de um país já de si em muito má conta em termos Europeus.
Gastaram-se milhares de milhões de euros a sustentar dependências e a criar uma elite incompetente que só se revê neste estado de coisas enquanto se mantém agarrada a uma qualquer fonte de poder e desde que do seu exercício preste contas a uma direcção que ignora o mesmo Tribunal de Contas, menospreza as oposições e consome o poder informativo contando, aqui e ali, com a benevolência crítica de quem também se conforma com a falta de meios para subsistir sem a mão por vezes (pouco) amiga do poder.
São já muitos anos, e são tantos mais quantos os que o poder se foi consolidando num ciclo vicioso quadrianual que se reflecte num repetente aviso dos pareceres do Tribunal de Contas, também ele tratado nos Açores pelo poder regional do partido socialista como uma força de bloqueio, numa perpétua conspiração contra a bondade de quem faz o que pode nessa terrivelmente difícil tarefa de governar 250 mil pessoas.
E na medida em que se avolumam os anos desta teia regional de poderes espalhados pelas empresas regionais, pelas instituições, e pelo Estado Regional dominado por boys e girls do aparelho socialista regional, consolida-se a normalização da incompetência.
Alguém conhece algum dirigente do poder nos últimos anos que mesmo demitido não tenha tido à sua espera um outro lugar? - para o qual, dizem, sempre esteve talhado, apesar de nunca ter demonstrado sucesso por onde passou antes de subir um novo degrau, mas depois de ter descido outro patamar na escadaria do poder regional socialista?
Alguém que tenha deixado o lugar que desempenhou de tal forma mal que não mais merece continuar, mas que depois encontra poiso numa qualquer instituição dependente do mesmo poder parece não chocar, mas tornou-se também numa outra consequência do poder pelo poder, durante duas décadas para benefício de alguns e manutenção de níveis de dependência de outros.
Em vinte anos de poder, encontrar quem tenha já dançado de cadeira em cadeira, de lugar em lugar, ressuscitando de conflitos de poder internos, de ajustes de contas caseiras, de mais e de menos perfil para este ou aquele lugar, de utilidade neste e noutros sentidos, é um exercício fácil e repetitivo, tal como são as recomendações feitas por outros que encontram sempre o muro de sabedoria oficial, talentoso na retórica brejeira e convencido da sua inevitável capacidade de ter razão mesmo que a realidade demonstre o contrário.
São já duas décadas a acumular recados que nunca são bem o que parecem e a alimentar vícios que sustentam uma ideia de exercício do poder baseada apenas na sua manutenção!
Que o novo ano nos traga uma nova forma de governar!

Feliz 2016!

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