O jornal “A
União” desapareceu como diário, talvez na qualidade de mais uma vítima desta
conjuntura económica desfavorável que atravessamos. Depois de 120 anos a
escrever a história e histórias dos Açores, atravessando momentos altos e
outros baixos, certamente, encerra assim, sem mais nem menos, um dos ícones da
comunicação social da nossa região.
Nesta quadra de
Natal, sempre propícia a encontros com familiares e amigos e em que as
conversas são, quase sempre, alinhadas por lembranças alegres da nossa
infância, recordo este diário vespertino que sempre cobriu a velha secretária
lá de casa.
O carteiro
deixava na nossa residência um molhe com uma ou duas semanas de edições do
jornal, normalmente atadas com um barbante cor de canela. Chegavam-nos
desatualizados, mas valia a pena. Abria-nos a janela do mundo.
Foi este jornal
que acolheu um suplemento sobre a Graciosa. Foi neste jornal que me habituei a
ver e a ler artigos de meu pai ou títulos de secções, ou do próprio jornal,
desenhados pelo seu punho. Foi também neste jornal que publiquei pela primeira
vez, uma crónica desportiva, no caso, que esperei ansiosamente apenas para a
reler e apreciar, embevecido, o meu nome escrito no seu rodapé.
O seu desaparecimento
é uma notícia triste para todos nós e ainda para mais recebida nesta altura que
devia ser de alegria e de confraternização, altura, também, em que há mais
harmonia e em que pensamos mais nos outros.
É triste porque
ficamos todos mais pobres. É muito mais triste, ainda, para aqueles que
perderam o seu ganha-pão, apesar de terem dado tudo de si para que esta
situação nunca acontecesse.
Assim morreu
mais um jornal. A nossa democracia ficou muito mais pobre.
Graciosa, 13 de
dezembro de 2012.
José Ávila



quinta-feira, dezembro 13, 2012
Rádio Graciosa