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Rádio Graciosa


13 março 2006

Salários sobem acima da produtividade e da inflação.


O valor dos salários no sector privado em Portugal deverá ter largamente superado durante o ano passado, o somatório da inflação e do aumento da produtividade registado, quebrando assim uma das regras geralmente estabelecidas para preservar a competitividade da economia nacional.
De acordo com os dados divulgados na passada sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a produtividade nacional, medida como o produto interno bruto por pessoa empregada, cresceu 0,3% em 2005. Este valor é idêntico ao da variação do PIB, anunciada na semana passada, porque no mesmo período o emprego ficou praticamente inalterado face a 2004.
Tendo em conta que em 2005 a taxa de inflação se cifrou em 2,3%, de acordo com os dados das remunerações declaradas à Segurança Social, os salários cresceram 4,3% em Outubro face ao período homólogo. Torna-se evidente que o fraco aumento da produtividade nacional, ficou muito longe de compensar este elevado diferencial.
Em 2004, pela primeira vez em vários anos, o aumento salarial de 3,1% tinha sido inferior à soma da inflação (2,4%), com a variação da produtividade (1%). Agora, voltou-se por larga margem a quebrar esta regra.
A ameaça à competitividade nacional ocorre quando se verifica que a evolução dos custos unitários de trabalho em Portugal é mais alta do que a que ocorre nos países parceiros comerciais. Este indicador é medido com o aumento da compensação por trabalhador menos a variação da produtividade.
Portugal tem, a este nível, registado sempre valores mais elevados do que os seus concorrentes. Mesmo em 2004, ano em que os custos unitários de trabalho cresceram 2,1%, isso não foi suficiente para ficar abaixo da média europeia.
Em 2005, com os salários a crescerem 4,3% e com a pequena compensação de 0,3% na produtividade, o cenário deverá ser ainda mais desfavorável, uma vez que na maior parte dos parceiros europeus a contenção salarial tem sido aplicada e, principalmente, a produtividade tem aumentado muito mais.
Em Portugal, durante o ano passado, apenas a estagnação na criação de emprego permitiu que a produtividade registasse em 2005 uma ligeira subida, mantendo-se a tendência dos últimos quatro últimos anos. Em alguns sectores, como a indústria, embora a produção fosse menor, o corte no número de empregados ainda foi mais acentuado.

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